Curiosidade da Semana. Especial: Dia da Consciência Negra. Literatura Negra.

 


 Como dizia Dorival Caymmi: "Vida de negro é difícil, é difícil como o quê." Essa afirmação é uma verdade retratada na vida negra que busca por seu direito, igualdade e respeito na sociedade. A inclusão racial negra não é uma palavra nova muito menos uma tendência, com muito esforço e luta a inclusão racial tem se estabelecido no meio da sociedade. Com muita determinação eles derrubaram as barreiras e se hoje os negros tem seus direitos é graças àqueles que buscaram a liberdade de serem alguém na sociedade e não mais escravo. 
A Curiosidade da Semana especial Dia da Consciência Negra falará sobre as conquistas e personalidades da vida negra que deixaram seus legados. Hoje abordaremos sobre a Literatura Negra, escritores (as) negros (as) que quebraram barreiras e investiram em seus sonhos escrevendo livros, deixando seus traços e personalidades na escrita, no papel, depois em livros que até hoje suas histórias nunca deixam de ser reimpressos, lidos e relidos por todos amantes de uma boa leitura. 

Fique e se aventure resumidamente sobre a vida desses escritores literatos:

Machado de Assis (1839-1908)




Não poderia começar falando desse grande escritor considerado por muitos críticos, estudiosos, escritores e leitores um dos maiores senão o maior nome da literatura do Brasil: Machado de Assis. Seu nome completo é Joaquim Maria Machado de Assis nasceu pobre e epilético. Era filho de Francisco José e Leopoldina Machado de Assis, neto de escravos alforriados. Desde de garoto já tinha interesse por quase todos os tipos de leitura. Graças a seu talento, persistência, superou todas as dificuldades e tornou-se em dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. A desventura alcançou a vida dele aos 14 anos quando perdeu sua única irmã e seus pais. Aos 16 anos conseguiu emprego como aprendiz numa tipografia e publicou os primeiros versos no jornal. Em 1860, foi convidado por Quintino Bocaiuva para trabalhar no Diário do Rio Janeiro - quase todas as suas comedias teatrais e o livro de poemas 'Crisalidas', sem muito sucesso na época.

Quando se apaixonou 

 Em 12 de novembro de 1869 ele se casou com Carolina Augusta Xavier de Novais. Ele se apaixonou pela irmã do seu melhor amigo Faustino Xavier de Novaes (1820-1869). Esse casamento ocorreu contra a vontade da família da moça, uma vez que Machado tinha mais problemas do que fama. Essa união durou cerca de 35 anos e casal não teve filhos. Carolina contribuiu para o amadurecimento intelectual de Machado, revelando-lhe os clássicos portugueses e vários autores de língua inglesa.

Nasce a primeira fase de Assis 

 Com isso o Machado de Assis começou a desenvolver sua própria identidade de escrita. Em 1870 Machado publicou os poemas "Falenas" e "Americanas"; além dos "Contos Fluminenses" e "Histórias da meia-noite". O público e a crítica consagraram seus méritos de escritor. Publicou os romances: "Ressurreição" (1872); "A Mão e a Luva" (1874); "Helena" (1876); "Iaiá Garcia" (1878). Essas obras ainda estão ligadas à literatura romântica e formam a chamada primeira fase de Machado de Assis. 

Ascensão do Mérito

Em 1873, o escritor foi nomeado primeiro oficial da secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras públicas. A sua carreira burocrática teve uma ascensão muito rápida, uma vez que, em 1892, já era diretor geral do Ministério da Viação. O emprego público garantiu a estabilidade financeira, uma vez que viver de literatura naquela época era quase impossível, mesmo para os bons escritores. Isso o tornou ainda mais conhecido dentro e fora da cidade Carioca. 
 
Nasce a segunda fase O Realismo

Em 1880, sua obra sofreu uma verdadeira revolução em termos de estilo e de conteúdo, introduzindo o Realismo na literatura brasileira. Os romances "Memórias póstumas de Brás Cubas" (1881); "Quincas Borba" (1891); "Dom Casmurro" (1899) e os contos "Papéis avulsos" (1882); "Histórias sem data" (1884), "Várias histórias" (1896) e "Páginas recolhidas" (1899), entre outros, revelam o autor em sua plenitude. O espírito crítico, a grande ironia, o pessimismo e uma profunda reflexão sobre a sociedade brasileira são as suas marcas mais características.

 Academia Brasileira de Letras

Inspirados na Academia Francesa, Medeiros e Albuquerque, Lúcio de Mendonça, e o grupo de intelectuais da Revista Brasileira idealizaram e fundaram, em 1897, junto ao entusiasmado e apoiador Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras, com o objetivo de cultuar a cultura brasileira e, principalmente, a literatura nacional. Foi eleito o primeiro presidente da Academia logo que ele se instalou, no dia 28 de janeiro do mesmo ano. Ocupou a Cadeira N.º 23, de cujo patrono, José de Alencar, foi amigo e admirador. Os escritores e intelectuais brasileiros desejaram criar uma academia nacional nos moldes da Academia Francesa então embaixador da França Raymond Conty, o governo francês doou à Academia o prédio do Pavilhão Francês, edificado para a Exposição do Centenário da Independência do Brasil, uma réplica do Petit Trianon de Versalhes, erguido pelo arquiteto Ange-Jacques Gabriel, entre 1762 e 1768. E desde então o edifício continua de pé no mesmo lugar ainda com as portas abertas para homenagear pessoas importantes intelectuais. 

A perda da Amada

Em 1904, a morte de sua mulher foi um duro golpe para o escritor. Depois disso, raramente ele saía de casa e sua saúde foi piorando por causa da epilepsia. Os problemas nervosos e uma gagueira contribuíram ainda mais para o seu isolamento. São dessa época seus últimos romances "Esaú e Jacó" (1904) e "Memorial de Aires" (1908), e assim fecham o ciclo realista iniciado com "Brás Cubas".

Seus últimos dias

Machado de Assis morreu em sua casa situada na rua Cosme Velho. Foi decretado luto oficial no Rio de Janeiro e seu enterro, acompanhado por uma multidão, atesta a fama alcançada pelo autor. Dizem que  morreu com uma úlcera cancerosa na boca, provavelmente derivada de seus diversos tiques nervosos, e que lhe impedia de ingerir qualquer alimento sólido.

Considerações finais

O fato de ter escrito em português, uma língua de poucos leitores, tornou difícil o reconhecimento internacional do autor. A partir do final do século 20, porém, suas obras têm sido traduzidas para o inglês, o francês, o espanhol e o alemão, despertando interesse mundial. De fato, trata-se de um dos grandes nomes do Realismo, que pode se colocar lado a lado ao francês Flaubert ou ao russo Dostoievski, apenas para citar dois dos maiores autores do mesmo período na literatura universal. As obras de Machado de Assis continua viva entre os livros, na leitura entre os leitores e adaptação em Minisséries de suas obras. As duas obras que gosto muito de ler do Machado é O Alienista que introduziu olhar crítico sobre a psicanalise e A Mão e Luva.   

Lima Barreto (1881-1922)




Outro escritor era Afonso Henriques de Lima Barreto, mais conhecido como Lima Barreto foi um jornalista e escritor brasileiro, que publicou romances, sátiras, contos, crônicas e uma vasta obra em periódicos, principalmente em revistas populares ilustradas e periódicos anarquistas do início do século XX. Ele foi um importante escritor do Pré-Modernismo - período histórico que precedeu a Semana de Arte Moderna.

Onde tudo começou

Barreto nasceu em Laranjeiras, Rio de Janeiro no dia 13 de maio de 1881. Filho do tipógrafo Joaquim Henriques de Lima Barreto e da professora primária Amália Augusta, ambos mestiços e pobres, sofreu preconceito a vida toda. Aos sete anos ficou órfão de mãe.  Por ser afilhado do Visconde de Ouro Preto cursou no Colégio Pedro II. Ingressou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro onde iniciou o curso de Engenharia. Por curto período de tempo foi obrigado a abandonar o curso, pois seu pai havia enlouquecido e o sustento dos três irmãos agora era responsabilidade dele. Em 1904, presta concurso para escriturário do Ministério da Guerra, é aprovado e permanece na função até se aposentar. Em 1905 entrou no jornalismo com muitas reportagens escreveu para o Correio da Manhã em 1907 abriu sua própria revista 'Floreal' que foi lançado apenas quatro números.

Sua entrada para a Literatura 

 Lima Barreto entrou na literatura com a publicação "Recordações do Escrivão Isaías Caminha." O texto acompanha a trajetória de um jovem mulato que vindo do interior sofre sérios preconceitos raciais. Mera consciência retratar em um personagem a mesma afronta que recebe em sua volta a história tem tom autobiográfico, o furor de revolta contra o preconceito racial e uma implacável sátira ao jornalismo carioca. As palavras sem cordializas invade a emoção do personagem dando impressão muitas vezes quem fala é o próprio autor e não seu personagem narrador Isaias Caminha. 

O marco da sua obra 

Uma das melhores obras do Barreto foi "Triste Fim de Policarpo Quaresma." Publicado em 1915, o autor descreve a vida política no Brasil após a Proclamação da República. A obra narra os ideais e as frustrações do funcionário publico, Policarpo Quaresma, um homem metódico e nacionalista fanático. A obra retrata Policarpo sonhador e ingênuo, dedicando a vida estudando as riquezas do país. Além da descrição politica do final do século XIX, a obra traça um rico painel social e humano realidade entre subúrbios cariocas na virada do século. 

Seus últimos dias 

Com seu espírito inquieto e rebelde, com seu inconformismo com a mediocridade reinante e com a doença do pai, se entrega ao álcool. É levado a diversas crises, com verdadeiras manifestações de alienação mental.
Foi internado duas vezes com alucinações fantásticas que o perseguem. Quando não dava crises ele escrevia na redação "Cemitério dos Vivos", onde ele dizia: 

"O abismo abriu-se a meus pés e peço a Deus que jamais ele me trague, nem mesmo o veja diante dos meus olhos como vi por várias vezes. De mim para mim, tenho certeza que não sou louco ..."  

Lima Barreto viveu apenas 41 anos. Ele  faleceu no Rio de Janeiro, no dia 01 de novembro de 1922. 

Consideração finais

A obra de Barreto representou a fase de transição da literatura no período em que a verdadeira renovação da linguagem e da ideologia aflorava enquanto a influencia europeias perdia as forças. O chamado Pré-modernismo contagiava não só o Lima Barreto, destacam-se também o "Euclides da Cunha e Monteiro Lobato". O que marca a obra de Lima é a sua busca por uma linguagem mais simples e coloquial. Para isso, teve de ignorar muitas vezes as normas gramaticais e de estilo, provocando a ira dos meios acadêmicos e conservadores. Com isso poucos aceitavam aqueles contos e romances que revelavam a vida cotidiana das classes populares, sem  qualquer idealização. Ao produzir uma literatura inteiramente desvinculada dos padrões e do gosto vigente, recebe severas críticas dos letrados tradicionais. Pois ele explora em suas obras as injustiças sociais e as dificuldades das primeiras décadas da Republica das pessoas de cor. 


  Cruz e Sousa (1861-1898)




João da Cruz e Sousa mais conhecido como Cruz e Sousa foi mais importante poeta com os livros Missal (poesia em prosa) e Broqueis (versos) trouxe o simbolismo no Brasil.  

O gosto pela Leitura 

Cruz e Sousa nasceu em Nossa Senhora do Deserto, hoje a capital de Santa Catarina, Florianópolis no dia 24 de novembro de 1861. Filho de escravos alforriados nasceu livre e foi criado como filho adotivo do Marechal de Campo, Guilherme Xavier de Sousa e Clarinda Fagundes de Sousa. Seu nome foi dado devido o estado onde nasceu e o sobrenome por parte da família que o criou. 

Conhecendo mais sobre a  Literatura 

Aos 4 anos começou a aprender as primeiras letras com sua tutora. Com sete anos ele escreveu seus primeiros versos. Em 1869 entrou para uma escola publica, onde se destacava. Nessa época participava em salões e teatros aumentando seu gosto pela leitura. Em 1871 com dez anos ingressou no colégio Ateneu Provincial Catarinense, onde estudou francês, latim, matemática e ciências naturais. Ainda sim sua paixão pelas letras crescia cada dia mais em 1877 Cruz e Sousa dedicou-se ao magistério e começou a publicar seus versos em jornais da província. Lá ele entrou na campanha abolicionista, com o amigo Vergílio Várzea, durante vários anos para o jornal Tribunal Popular e com isso passa a sofrer perseguições por ser negro. 

A conquista alcançada 

Em 1885, Cruz e Sousa estreia com o livro de poemas em prosa 'Tropos e Fantasias', em parceria com Várzea, aqui começa as características marcantes do Simbolismo. Nesse mesmo ano ele assumiu a direção do jornal 'O Moleque', o título é retratado por sua rebeldia contra o preconceito de cor, de que sempre foi alvo. Em 1890 Cruz e Sousa parte para o Rio de Janeiro e passa a colaborar no jornal da cidade e trabalhar como arquivista na Central do Brasil. Em 1893, ele casou com Gavita Rosa Gonçalves e no mesmo ano com ajuda do editor, Cruz e Sousa consegue publicar os livros: 'Missal e 'Broqueis. Com essas obras o poeta rompe o Parnasianismo e introduz permanentemente o Simbolismo no Brasil. 

 Seus últimos dias

Cruz e Sousa viveu seus últimos anos numa luta quase que por encerrada contra a miséria e a infelicidade, quando poucos reconheceram seu valor como poeta. Sua esposa Gavita teve crises nervosas e dos quatro filhos que tiveram apenas dois sobreviveram. O poeta conhecido como "poeta negro" foi vitima da tuberculose, em 1898, mudou-se para Minas Gerais, cidade Sítio à procura de alívio para o mal, porém não resisti a doença e falece logo depois. Ele foi translado para para o Rio, onde nasceu num vagão de transporte de animais. Cruz e Sousa faleceu na cidade de Sítio MG no dia 14 de março de 1898. 

Considerações finais

No Brasil Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens são os dois nomes mais significativos do Simbolismo. Pois esse movimento apresenta uma linguagem carregada de símbolos ao contrário à literatura que carrega linguagem mais impessoal. As características estão na musicalidade, subjetividade, espiritualidade e sugestão. 

Para quem não saiba o Simbolismo foi um movimento Literário que teve sua origem na França em 1870. E o que me chama atenção é que a obra de Cruz e Sousa é reconhecido na Europa. Em 1905 o grande amigo e admirador do poeta, Nestor Vitor fez uma homenagem a ele, com a publicação em Paris da maior obra do poeta "Últimos Sonetos. Com isso foi considerado um dos mais importantes simbolistas da poesia ocidental. A obra completa do poeta foi em 1961 num volume de mais oitocentas paginas.  


Maria Firmina dos Reis (1822-1917)



A Maria Firmina dos Reis foi uma escritora da época, considerada a primeira romancista negra brasileira. Úrsula, sua obra mais conhecida, foi publicada em 1859, com o pseudônimo de Uma Maranhense. A partir daí, ela passou a escrever para vários jornais, nos quais publicou alguns de seus poemas e escreveu uma novela, um conto, publicou um livro de poesias, além de composições musicais. 

Como tudo começou

Maria Firmina dos Reis nasceu na Ilha de São Luís, no Maranhão, em 11 de março de 1822, sendo batizada somente a 21 de dezembro de 1825, em virtude de uma enfermidade que a acometeu nos primeiros anos de vida. Em 1830, mudou-se com a família para a vila de São José de Guimarães, no continente. Viveu parte de sua vida na casa de uma tia materna mais bem situada economicamente. Em 1847, concorreu à cadeira de Instrução Primária nessa localidade e, sendo aprovada, ali mesmo exerceu a profissão, como professora de primeiras letras, de 1847 a 1881. Maria Firmina dos Reis nunca se casou. 

Ingressando na Literatura 

Maria ingressou na literatura com o livro "Ursula" publicado em 1859 o primeiro romance de um autora negra do Brasil. Ela publicou na Revista Maranhece o conto "A Escrava, no qual se descreve uma participante ativa da causa abolicionista. Antes de se aposentar Maria fundou em Maçarico, uma aula mista e gratuita para alunos que não podiam pagar. Os alunos se ajuntavam num barracão querendo aprender tudo o que a Firmina ensinava. Isso era ousado para época e essa inovação cai em favor das lutas das feministas brasileiras do final do século XIX que ansiavam igualdade de ensino para meninas. Como era musicista e compositora chegou escrever um hino da abolição dos escravos era abolicionista convicta.  

Professora exemplar 

Além de escritora era professora amável uma de suas antigas aluna caracterizou-a como uma professora enérgica, que falava baixo, não aplicava castigos corporais, nem ralhava, preferindo aconselhar. Quem a conhecida descrevia como uma criatura frágil, tímida e por consequência melancólica, pequena, parda, de rosto arredondado, olhos escuros, cabelos crespos e grisalhos presos na altura da nuca. Amava lecionar e ajuda seus alunos.   

Seus últimos dias

Maria Firmina dos Reis morreu, cega e pobre, aos 95 anos, na casa de uma ex-escrava, Mariazinha, mãe de um dos seus filhos de criação. É a única mulher dentre os bustos da Praça do Pantheon, que homenageiam importantes escritores maranhenses, em São Luís. Para quem não sabe a Maria Firmina dos Reis foi homenageada em um doodle do Google, em 11 de outubro de 2019, em comemoração ao seu 194º aniversário. 
    
Considerações finais 

As obras da Firmina coloca a condição da mulher negra, elemento que evidencia diversos problemas herdados da situação colonial, visto que por meio da escravidão, as mulheres foram subjugadas em diversos âmbitos. E isso pode ser percebido na representação das suas personagens negras na construção da imagem dos gêneros, meio utilizado para consolidação do poder masculino. E a Maria Firmina  apresenta o negro em sua dimensão humana e confere a ele uma posição de sujeito de discurso, o que pode revelar uma íntima identificação com o negro escravizado. Vale apena ser suas obras publicadas entre eles: Úrsula. 

Carolina Maria de Jesus (1914-1977)



Carolina Maria de Jesus foi uma autora brasileira, considerada uma das primeiras e mais destacadas escritoras negras do País. Para quem não sabe o livro autobiográfico é best seller o mais famoso entre suas obras "Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada"

Infância pobre 

Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, no interior de Minas Gerais, no dia 14 de março de 1914. Neta de escravos e filha de uma lavadeira analfabeta, Carolina cresceu em uma família com mais sete irmãos. Carolina recebeu incentivo para estudar a primeira e a segunda serie do ensino fundamental com ajuda da freguesa de sua mãe Maria Leite Monteiro de Barros. Pouco tempo que ficou na escola, Carolina aprendeu a ler e escrever tomou gosto pela leitura e pela escrita. O final da escola foi devido a mudança de sua família para Lageado, onde trabalharam como lavradores em uma fazenda em 1924, retornando para cidade natal em 1927. 

Mudanças e fases

Em 1930 a família vai morar em Franca SP, onde ela trabalhou como lavradora e em seguida como empregada domestica. Aos 23 anos, perdeu sua mãe e vai para capital onde trabalhou como faxineira na Santa Casa de Franca e mais tarde como empregada doméstica. Em 1948 mudou para a favela do Canindé. Carolina foi mãe de três filhos todos de relacionamento diferentes. 

A oportunidade bate à porta

A realidade da Carolina era muito difícil morando em uma favela durante a noite trabalha como catadora de papel. Seu trabalho na literatura ganhou a vida sempre escrevendo o seu dia a dia. Lia tudo o que encontrava catando papelão. Em 1941 sonhando em ser escritora, foi até a redação do jornal Folha da Manhã com poema que escreveu ao Getúlio Vargas. Dias depois seu poema e a sua foto são publicados no jornal. Ela continuou levando regularmente os seus poemas para a redação do jornal. Seus poemas ganhou admiradores sendo apelidada de "A Poetisa Negra" e era cada vez mais admirada pelos leitores. Carolina ganhou fama quando em 1958 , o repórter do jornal Folha da Noite, Adálio Dantas fazer uma reportagem sobre a favela do Canindé e uma das casas visitadas foi a de Carolina Maria de Jesus.  

O sonho tornou realidade

No dia 19 de maio de 1958, o repórter Audálio publicou alguns trechos do diário e 1959, a revista O Cruzeiro publica alguns trechos do diário. Em 1960 foi finalmente publicado o livro autobiográfico "Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, com edição de Audalio Dantas, o repórter. Foi mais de dez mil exemplares, só durante a noite de autógrafos foram 600 livros. 

Com sucesso das vendas Carolina deixa a favela e pouco depois compra uma casa no Alto de Santana. E recebe homenagem da Academia Paulista de Letras e da Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo. Em 1961, ela viaja para a Argentina onde é agraciada com carinho na Ordem Caballero Del Tornillo. Daí a escritora publica “Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada” (1961) “Pedaços da Fome” (1963) “Provérbios” (1965). 

Quando o sonho se desvanece 

Mesmo o livro se tornando em best seller, Carolina não se beneficiou com o sucesso e não demorou muito para voltar à condição de catadora de papel. O sonho que se tornou realidade agora se desvaneceu. Em 1969, mudou-se com os filhos para um sítio no bairro de Parelheiros, em SP, essa época ela foi praticamente esquecida pelo mercado editorial. A escritora faleceu em São Paulo, no dia 13 de fevereiro de 1977.  


Stela do Patrocínio (1941-1992)



Pouco de sabe sobre essa poetisa brasileira. Stella do Patrocínio nasceu no Rio de Janeiro em 09 de janeiro de 1941. Filha de Manoel do Patrocínio e Zilda Francisca do Patrocínio, Stella trabalhava como doméstica na juventude. Com 21 anos, morava em Botafogo e agosto de 1962 aconteceu algo super estranho com ela, quando pretendia tomar um ônibus para chegar à Central do Brasil foi parada por uma viatura de polícia, na Rua Voluntários da Pátria. Segundo ela, a polícia a levou ao pronto socorro mais próximo, perto da praia de Botafogo. De lá foi conduzido ao Centro Psiquiátrico Pedro II, no Engenho de Dentro, dando entrada na instituição em 15 de agosto. O pouco que se sabe sobre a Patrocínio era visto como alguém que sofre saúde mental. No dia 3 de março de 1966, foi transferida para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá/RJ (a mesma instituição onde Arthur Bispo do Rosário foi internado). Stella passou a ser paciente do Núcleo (feminino) Teixeira Brandão, local onde permaneceu até o dia de sua morte, em 20 de outubro de 1992.

A descoberta de um talento 

Em 1986, as psicólogas do Núcleo Teixeira Brandão, Denise Correia e Marlene Sá Freire, tiveram a ideia de criar um ateliê artístico no Núcleo, com a finalidade de humanizar aquele espaço e de propiciar distração àquelas mulheres que sofriam. O projeto foi chamado de "Projeto de Livre Criação Artística". Foi ali que Stella do Patrocínio passou a ser entendida como poeta pelo núcleo artístico. A Patrocínio articulava suas poesia no improviso, Guagliardi começou a levar um pequeno gravador em sua bolsa para que suas conversas com Stella fossem registradas. 

A arte de falar em público 

O Projeto de Livre Criação Artística foi encerrado em 1989, por impossibilidade de renovação contratual durante o governo Sarney. Assim, podemos pensar que ele teve um marco de seu fim: algumas das mulheres que frequentaram o ateliê artístico no Núcleo Teixeira Brandão tiveram seus trabalhos expostos no Museu do Paço Imperial, localizado na Praça XV (Centro do Rio), com a exposição "O ar do subterrâneo", organizada pela idealizadora do projeto Livre Criação Artística (Denise e Marlene), Nelly Gutmacher, Marcio Rolo, Carla Guagliardi e equipe.

Com o projeto encerrado em 1989o registro do falatório de Stella perpetuou, desta vez por uma estagiaria de psicologia entre 1990 e 1991, Mônica Ribeiro de Souza. Ela era voluntária no Núcleo Teixeira Brandão, supervisionada por Denise Correia. Mônica decidiu homenagear mulheres que frequentaram o ateliê artístico e levantou os dados biográficos daquelas mulheres que tiveram seus trabalhos expostos no Museu. Se hoje sabemos mais sobre o trabalho dessas mulheres, especialmente a da Stela Patrocínio foi graças ao trabalho de Mônica. 

Seus últimos dias

Stella do Patrocínio veio a óbito no dia 20 de outubro de 1992, devido a uma parada cardiorrespiratória depois de sofrer uma amputação na perna. Do Patrocínio tinha diabetes tipo mellitus e carcinoma mamário. Seu corpo foi sepultado como indigente - um fim comum dos pacientes psiquiátricos em instituições públicas, depois de tanto tempo de internação, devido à perda de suas memórias e de seus laços afetivos. Seu corpo foi encaminhado ao Cemitério de Inhaúma. Cinco anos depois de sua morte, teve os restos cremados e dispensados, pois é política da direção do cemitério descartar os corpos cujos parentes não procuraram, retirando-os das gavetas e cremando-os para abrir espaço.

Seu legado em livro

 Viviane Mosé, poetisa e filosofa publicou trechos recortados de seu falatório em um livro de poesia intitulado "Reino dos bichos e dos animais é o meu nome" Foram fontes materiais em livro datilografado por Mônica Ribeiro de Souza; as gravações realizadas por Guagliardi. A obra ganhou Prêmio Jabuti. Em 2005 foi transformado em ópera pelo compositor Lincoln Antônio. E ganhou documentário "Stela do Patrocínio - A mulher que falava coisas", dirigido por Marcio de Andrade, traz a voz de Stella do Patrocínio e imagens inéditas. Em 2018 o grupo musical de samba Moça Prosa prestou homenagem a Stella - o grupo é conhecido por homenagear mulheres negras.


Conceição Evaristo (1946-Presente) 



Maria da Conceição Evaristo de Brito é uma notável professora e escritora brasileira contemporânea sendo especialmente ativa nos movimentos pela luta negra. A autora publicou poemas, ficção e ensaios, nasceu no dia 29 de novembro de 1946 em Belo Horizonte MG. Filha de Joana Josefina Evaristo, Conceição teve pouco contato com o pai, tendo sido criada pela mãe, uma lavadeira, e pelo padrasto (Aníbal Vitorino), que era pedreiro, numa comunidade da Avenida Afonso Pena. Ela cresceu com as três irmãs e dos cinco irmãos filhos por parte do padrasto. Quando a menina tinha sete anos foi viver com a tia, Maria Filomena da Silva, a irmã mais velha da mãe, que também era lavadeira e o tio, Antônio João da Silva, que era pedreiro. O casal não tinha filhos. Eles criaram a Conceição com muito amor aos oito anos começou a trabalhar como empregada domestica, porém nunca deixou de estudar.

A conquista 

Em 1973, Conceição Evaristo se mudou para o Rio de Janeiro. Lá se formou em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. E concluiu um mestrado em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro defendendo a dissertação Literatura Negra: uma poética de nossa afro-brasilidade (1996). E o doutorado em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense tendo defendido a tese Poemas malungos, cânticos irmãos (2011).   

Seus primeiros passos profissionais foi atuando como docente em escolas do ensino público do Rio de Janeiro. Seu percurso na literatura se iniciou durante a década de 90 tendo publicado obras dos mais variados gêneros literários: desde poesia, passando pela ficção e também pelo ensaio. 

Dias atuais 

Algumas das suas obras já foram traduzidas para o francês. Em 2018 venceu o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais. Atualmente dá aulas como professora visitante na Universidade Federal de Minas Gerais. 


Conheça alguns obras dos autores:


* Machado de Assis


Realismo 

Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)
Quincas Borba (1891)
Dom Casmurro (1899)
Esaú e Jacó (1904)
Memorial de Aires (1908)

Contos 

Papéis Avulsos (1882)
Histórias Sem Data (1884)
Várias Histórias (1896)
Páginas Recolhidas (1899)
Relíquias da Casa Velha (1906)


*Lima Barreto


Recordações do Escrivão Isaías Caminha, romance (1909)
Aventuras do Dr. Bogoloff, humor (1912)
Triste Fim de Policarpo Quaresma, romance (1915)
Numa e Ninfa, romance (1915)
Vida e Morte de M. J. Gonzaga e Sá, romance (1919)
Os Bruzundangas, sátira política e literária (1923)
Clara dos Anjos, romance (1948)
Coisas do Reino do Jambon, sátira política e literária (1956)
Feiras e Mafuás, crônica (1956)
Bagatelas, crônica (1956)
Marginália, crônica sobre folclore urbano (1956)
Vida Urbana, crônica sobre folclore urbano (1956)

*Cruz e Sousa


Poemas em Prosa

Tropos e Fantasias (1885) em colaboração com Virgílio Várzea.
Missal (1893)
Evocações (1898)

Poesias

Broquéis (1893)
Faróis (1900)
Últimos Sonetos (1905)


*Maria Firmina dos Reis


Úrsula. Romance, 1859.
Gupeva. Romance, 1861/1862 (O jardim dos Maranhenses) e 1863 (Porto Livre e Eco da Juventude).
Poemas em: Parnaso maranhense, 1861.
A escrava. Conto, 1887 (A Revista Maranhense n° 3)
Cantos à beira-mar. Poesias, 1871.
Hino da libertação dos escravos. 1888.


*Carolina Maria de Jesus


Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada (1961) 
Pedaços da Fome (1963) 
Provérbios (1965)

*Maria da Conceição Evaristo


Ponciá Vicêncio (romance, 2003)
Becos da Memória (romance, 2006)
Poemas da recordação e outros movimentos (poesia, 2008)
Insubmissas lágrimas de mulheres (contos, 2011)
Olhos d'água (contos, 2014)
Histórias de leves enganos e parecenças (contos e novela, 2016)
Canção para ninar menino grande (romance, 2018)


Por essa razão o Dia da Consciência Negra é um marco que traz para aqueles que sofreram escravidão para aqueles que nasceram livres da chibata e pela raça não afrodescendente repensarem sobre esse dia. Muito mais que um tributo ao Rei dos Palmares "Zumbi" o dia da consciência negra traz uma breve reflexão sobre a vida negra, o que eles eram, o que representam e a sua cultura afrodescendentes. 


Voltaremos com mais #CuriosidadedaSemana

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