Tem uma frase que me chama atenção e que remete a causa que se comemora Dia Nacional da Consciência Negra e de tudo que representa estes movimentos é da escritora e filosofa Ângela Yvonne Davis. Que diz:
"Eu não estou aceitando as coisas que eu não posso mudar, estou mudando as coisas que eu não posso aceitar." Ângela Davis.
A data homenageia Zumbi, um pernambucano que nasceu livre, mas foi escravizado aos seis anos de idade -ele morreu enquanto defendia a sua comunidade e lutava pelos direitos do seu povo. Na verdade Consciência negra é o sentimento que os negros apresentam relativamente a sua história e a sua herança cultura, o que encoraja a luta negra contra a discriminação. A Curiosidade da Semana especial: Dia da Consciência Negra falará sobre as conquistas e personalidades da vida negra que deixaram seus legados. Hoje falaremos sobre a conquista negra no TEATRO e no CINEMA.
Sidney Poitier (1927- presente)
O que dizer desse grande artista que ao longa da sua carreira vem mostrando trabalho inovador e muito polemico na época, onde seus papéis em Ao Mestre com Carinho (1967), Adivinhe Quem Vem Para Jantar (1967) e No Clamar da Noite (1967) foram marcos históricos na quebra das barreiras sociais entre afro-americanos e brancos. Sidney de fato sabe como impressionar seu público, não pela sua cor mais pela sua atuação e os papeis que ele aceita como desafios para sua carreira. Sidney Poitier é ator, diretor, produtor e diplomata norte-americano foi primeiro ator negro a ser indicado ao Oscar de Melhor Ator, pela interpretação no filme Acorrentados, e o primeiro negro a ganhar a estatueta por Uma Voz Nas Sombras.
Como tudo começou:
Sidney Poitier nasceu prematuramente em um veleiro a caminho de Miami, Flórida, Estados Unidos no dia 20 de fevereiro de 1927 enquanto seus pais, agricultores de Cat Island, Bahamas, viajavam para vender sua produção. Ele teve uma infância pobre e com poucos estudos na cidade de seus pais. Aos 15 anos ele foi levado para Miami para morar com seu irmão mais velho. Sentiu na pele a discriminação racial com o mau tratamento que recebeu nas ruas de Miami despertando nele uma determinação para criar oportunidades para os negros. Com 16 anos decidiu ir para Nova York - nesse período passou por desafios trabalhou como lavador de pratos e dormia em terminais de ônibus. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele mentiu sua idade e alistou se no exercito em novembro de 1943.
A oportunidade bate à porta:
Poitier viu no teatro uma oportunidade para melhorar de vida, ao deixar o Exercito, tentou ingressar no The Amarican Negro Theatre, porém foi rejeitado. Durante seis meses procurou melhorar seu desempenho e seu sotaque. Finalmente aceito no teatro, conseguiu uma oportunidade em produção da Broadway, Lysistrata, recebeu elogios por sua atuação. Em 1949, Poitier teve outras oportunidades em dobro, porém teve que escolher entre papel principal em uma peça da Broadway ou cinema no filme o O Ódio é Cego (Way Out) do Darryl Zanuck e Joseph Mankiewicz. Ele escolheu o cinema e interpretou um medico negro que tratava de brancos racistas. Depois disso ele teve outra oportunidade de trabalhar no filme Os Deserdados (Cry, the Beloved Country) com o ator afro-americano Canada Lee - todos como papeis secundários quando começou a receber convites para o papel principal.
Decolagem na carreira:
Em 1958, Sidney atuou ao lado de Tony Curtis em Acorrentados ( The Defiant Ones), que lhe valeu o premio BAFTA de Cinema (1959) e uma indicação ao Oscar de Melhor Ator. Nunca um afro negro americano teve prestigio como esse e no ano seguinte em 1959 recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator de Filme Musical ou Comédia no Porgy and Bess ao lado de Dorthy Dandridge. Em 1961, Poitier recebeu outra indicação ao Globo de Ouro ao atoar no A Raisin in the Sun ao lado de Paul Newman.
A maior conquista:
Em 1963, estrelou em Uma Voz Nas Sombras (Lilies of the Field), um filme sobre o trabalho itinerante afro-americano que encontra um grupo de freiras da Alemanha Oriental, que acredita terem sidos enviados por Deus para construir uma nova capela. Essa atuação trouxe uma oportunidade que mudou para sempre a sua carreira, ganhou o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Ator de 1964, se tornando primeiro ator negro a ganhar o Prêmio. Assim como outros filmes Ao Mestre, com Carinho (To Sir, with Love). Que narra a história do engenheiro Mark Thackeray consegue emprego de professor numa escola da periferia de Londres, onde se depara com uma turma indisciplinada que fará de tudo para que o professor abandone a escola, como fizeram os outros. E do filme Adivinhe Quem Vem Para Jantar (Guess Who's Coming to Dinner) conta a história de Joanna Drayton (Houghton), uma jovem branca estadunidense que acabou de começar um romance com o renomado Dr. Prentice (Poitier), um médico afro-americano que ela conheceu enquanto estava de férias no Havaí. Os dois planejam se casar e ela irá retornar com ele para sua casa na Suíça. O enredo do filme é centrado no retorno de Joanna para a casa de sua família liberal de classe alta em San Francisco com seu noivo e a reação de seus pais e amigos ao saberem da notícia.
Outras conquistas:
Sidney também trabalhou como diretor e obteve exatos em seus filmes, nos anos 70, passou a dirigir e produzir alcançando sucesso em ambas as áreas. Sua estreia como diretor de longa-metragem foi no faroeste Um Por Deus, Outro Pelo Diabo (1972). Depois vieram outros Dezembro Ardente (1973), Aconteceu num Sábado (1974), Aconteceu Outra Vez (1975), Um Pouco de Ação (1977), Loucos de Dar Nó (1980), Ritmo Quente (1985) e Papai Fantasma (1990). Sidney atuou ao lado de Bruce Willis e Richard Gere no filme O Chacal, 1997 onde viveu um agente do FBI. Em 2002, ele recebeu o Oscar honorário da academia por sua contribuição ao cinema em 2014 na 86.ª festa do Oscar, Poitier, junto com Angelina Jolie, apresentou o Prêmio de Melhor Diretor.
Considerações finais:
Sidney Poitier foi casado com Juanita Hardy entre 1950 e 1965 e juntos tiveram quatro filhas. Sua segunda esposa foi a atriz Diahann Carroll com quem viveu entre 1959 e 1968. Ele participava dos movimentos em defesa dos direitos civis. De fato esse grande artista conquistou o público e a indústria cinematográfica com o seu talento, abrindo caminhos para outros artistas negros no teatro e no cinema.
Isabel Sanford (1917 - 2004)
Isabel Sanford era uma atriz fenomenal ficou conhecida por interpretar a personagem Louise Jefferson no seriado The Jeffersons e com essa conquista veio o reconhecimento em 1981, ela se tornou a primeira mulher negra a receber um Emmy de Melhor Atriz em uma série de comédia. Ela se tornou uma referencia e tanto para as mulheres negras americanas que sonhavam trabalhar com meio artístico.
Como tudo começou:
Sanford nasceu no bairro do Harlem, em Nova York, a mais nova de sete irmãos e, infelizmente, a única a sobreviver à infância. Ela sempre teve vontade de atuar. Sua mãe foi contra a ideia, então ela fugiu de casa para se apresentar em boates. Apesar de ganhar o terceiro lugar em um concurso amador no lendário Apollo Theatre no Harlem, ela desistiu de suas atividades extracurriculares e tornou-se faxineira. Isabel apaixonou e se casou com William com quem teve três filhos. Quando ela tinha 20 anos seu desejo de atuar finalmente se tornou realidade. Ela interessou no American Negro Theatre e, em 1946, fez sua estreia nos palcos na peça "On Strivers Row". Em 1960 se mudou para Los Angeles com objetivo de trabalhar na TV e no cinema. Ela conseguiu pequenos papeis em programas de TV como A Feiticeira (1964) e Mod Squad (1968) e teve um lugar semirregular no The Carol Burnett Show (1967).
Surgi uma oportunidade:
Seu talento como atriz chamou a atenção do diretor Stanley Kramer. Ele a escalou para o então ousado Adivinhe Quem vem para Jantar (1967) como uma empregada de língua afiada que conversa com o personagem de Sidney Poitier sobre se casar com uma mulher branca. Pouco tempo depois o produtor de televisão Norman Lear escalou Sanford para o papel que decolaria a sua carreira, a personagem Louise até então como vizinha da serie Tudo em família (1971). Em 1975, os personagens de Louise e seu marido George Jefferson ganharam seu próprio programa de TV, The Jeffersons. A série fala sobre um casal afro-americano que se mudou do bairro operário de Queens, em Nova York, para o afluente Upper East Side de Manhattan, foi um sucesso que durou 11 temporadas. Em 1981, Sanford fez história como a primeira afro-americana a ganhar um Emmy de Melhor Atriz em Série de Comédia.
Considerações finais:
Quando o programa foi cancelado em 1985, o casal fictício continuaram a aparecer juntos em comerciais de TV para lojas e restaurantes e depois do surgimento da TV a cabo a serie foi exibida reprises. Décadas depois participou de programas como a serie de comedia Um Maluco no Pedaço (1990) e a novela diurna The Young and the Restless (1973). Sanford teve varias outras indicações ao Emmy e homenageada com cinco indicações ao Globo de Ouro e uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. De fato foi uma verdadeira artista negra com muitas conquistas e reconhecimento como atriz afro Americana influente no meio artístico.
Roxie Roker (1929-1995)
Roxie Roker foi uma atriz americana que interpretou Helen Willis na serie The Jeffersons, quebrando barreiras raciais interpretando um casal interracial a ser mostrado no horário nobre da televisão. Para quem não sabe Roker é mãe do músico de rock Lenny Kravitz e avó paterna da atriz Zoë Kravitz. Para Roker conseguir um papel em The Jeffersons foi fácil quando ela fez o teste para seu papel, o produtor mencionou a ela que não tinha certeza se ela parecia incrível como uma mulher afro-americana casada com um homem branco. A questão racial não era problema para ela tanto que surpreendeu o produtor, ela mostrou uma foto de família com o marido, que era branco o produtor de televisão Sy Kravitz . Como resultado, ela foi imediatamente escalada.
Como tudo começou:
Ela nasceu em Miami e foi criada no Brooklyn. Sua mãe, Bessie Roker (Mitchell), era afro-americana, da Geórgia, e seu pai, Albert Hubert Roker, era um emigrante afro-bahamense, originário de Nassau. Roxie foi um membro ativo do Howard Players, onde estudou na Howard University, recebeu seu BFA (Off-Broadway Theatre Awards) são prêmios anuais originalmente concedidos pelo jornal The Village Voice a artistas e grupos de teatro na cidade de Nova York. Como esposa "Helen Willis" em The Jeffersons (1975), ela e o ator branco Franklin Cover quebraram barreiras ao se tornar o primeiro casal caucasiano-afro-americano no horário nobre da TV.
Reconhecimento:
Roxie foi nomeado para o premio Tony de 1974 da Broadway como Melhor Atriz Coadjuvante ou Destaque (Dramático) por "O Rio Níger". Ela apareceu em papéis especiais em muitos outros programas de televisão dos Estados Unidos da década de 1970 até a década de 1990, incluindo "Stone in the River", estrelado por Hal Miller para a NBC além de minissérie de televisão Roots e no filme Claudine.
Considerações finais:
Roker foi agraciada pela cidade de Los Angeles por ser defensora de crianças, seu serviço incluía ser membro do conselho no Conselho Interinstitucional sobre Abuso e Negligência Infantil. Ela recebeu duas citações do Conselho da cidade de Los Angeles por seu trabalho. Como mencionado, ela se casou com o produtor de televisão Sy Kravitz em 1962. Como sua personagem Helen Willis , de Jefferson , Roker teve um casamento inter-racial com um homem branco. O casal teve um filho, o cantor e compositor e ator Lenny Kravitz (nascido em 26 de maio de 1964), e se divorciou em 1985. Para quem não sabe o âncora do Weather Al Roker e Roxie Roker eram primos de segundo grau. Roker morreu em Los Angeles, Califórnia, em 2 de dezembro de 1995, de câncer de mama aos 66 anos um ano depois do nascimento de sua neta Zoë Kravitz. Sem sombra de duvidas foi uma grande atriz que deu credibilidade para outras artistas negras ingressarem no programa de TV.
Harry Belafonte (1927 - Presente)
Harry Belafonte é um dos mais bem sucedidos artistas de origem caribenha da história, foi apelidado de "Rei do Calypso" por popularizar o ritmo caribenho nos Estados Unidos nos anos 50. Ele é um músico, cantor, ator, ativista político e pacifista norte-americano de ascendência jamaicana. Durante sua carreira tem sido um radical ativista político, envolvido em lutas pelos direitos civis e diversas causas humanitárias. Belafonte foi o primeiro afro-americano a receber um Prêmio Emmy do Primetime, o "Oscar" da televisão.
Como tudo começou:
Belafonte nasceu no Harlem, o bairro negro pobre da cidade de Nova Iorque e na infância viveu na Jamaica, país natal de sua mãe. De volta aos Estados Unidos, fez o colegial numa escola pública da cidade e serviu na marinha durante a Segunda Guerra Mundial. No fim dos anos 40, começou a ter aulas de arte dramática junto com Marlon Brando, Tony Curtis e Sidney Poitier, enquanto trabalhava junto ao teatro negro americano. Anos depois, receberia um Prêmio Tony por seu trabalho nos palcos da Broadway.
Sucesso na carreira musical:
A musica chegou nele para pagar por suas aulas de ator - mal sabia que faria sucesso musical pela sua mistura de ritmo pop com folk ianque. Em 1952 conseguiu um contrato de gravação e quatro anos depois seu album Calypso explodiu nas paradas, sendo o primeiro disco vinil a vender mais de um milhão de cópias no país, daí o apelido Rei do Calypso.
Sua entrada no mundo da televisão e no cinema:
Harry foi o primeiro afro-americano a receber um Prêmio Emmy do Primetime, o "Oscar" da televisão, por seu show especial de televisão Tonight with Belafonte, em 1959. No cinema, seu primeiro sucesso foi em Carmen Jones, de Otto Preminger, ao lado de Dorothy Dandridge, a mais conhecida atriz negra de sua época. Apesar de estrelar diversos filmes, insatisfeito com os papéis que lhe vinham sendo oferecidos, resolveu se dedicar mais à carreira musical, abandonando o cinema no começo dos anos 70, ao qual só voltaria no meio dos anos 90 para trabalhar com John Travolta e Robert Altman.
Movimento ativismo politico:
Belafonte sempre se envolveu pelo movimento ativista e dos mais radicais - apesar de famoso nas artes, nunca lhe protegeu da discriminação racial, especialmente no sul do país, onde se recusou a se apresentar entre 1954 e 1961 - isso o colocou na lista negra pelo Macartismo, tendo dificuldades para trabalhar. Grande seguidor do Movimento dos Direitos Civis e um dos confidentes de Martin Luther King, levantou milhares de dólares para libertar sob fiança centenas de manifestantes presos e foi um dos organizadores da famosa Marcha sobre Washington. Um ato impressionante colocou uma questão entre diferença racial, em 1968 quando ele e a sua amiga a cantora Petula Clark, protagonizaram uma cena pioneira na TV, num programa especial da cantora britânica na rede NBC - onde mostrava pela primeira vez na história duas pessoas de cores diferentes tendo contato físico carinhoso durante uma transmissão de televisão. Em 1985 foi um dos organizadores do grupo de artistas que gravou a famosa música "We Are the World" que vendeu milhões de cópias em todo mundo e ganhou um Prémio Grammy, e se apresentou ao vivo no super concerto Live Aid; em 1987 foi nomeado embaixador da boa vontade da Unicef. Ele foi contra o governo George H. W. Bush.
Considerações finais:
É impossível falar sobre artista negro sem falar desse grande artista que fez e continua fazendo trabalho excepcional no mundo artístico e direitos civis. Ele foi casado com Marguerite Belafonte (de 1948 a 1957) Julie Robinson (de 1957 a 2008) e Pamela Frank (desde 2008). Tem quatro filhos ambos artistas como o pai, Shari Belafonte, David Belafonte, Adrienne Belafonte Biesemeyer, Gina Belafonte
Ruth de Souza (1921-2019)
Considerada uma das grandes damas da dramaturgia brasileira e a primeira grande referência para artistas negros na televisão por seus papéis notáveis. Ruth de Souza foi uma atriz brasileira destacou-se por ser a primeira atriz negra a protagonizar uma telenovela na Rede Globo em A Cabana do Pai Tomás (1969) e a segunda na televisão brasileira, após Yolanda Braga, em A Cor da Sua Pele (1965) na TV Tupi. Além da primeira artista brasileira indicada ao prêmio de melhor atriz em um festival internacional de cinema, por seu trabalho em Sinhá Moça (1954) no Festival de Veneza.
Como tudo começou:
Ruth nasceu no Rio de Janeiro em 12 de maio de 1921. Até os 9 anos de idade vive com a família em uma fazenda em Porto do Marinho, pequena cidade do interior de Minas Gerais. Com a morte do pai, ela e a mãe voltam a morar no Rio de Janeiro, em uma vila de lavadeiras e jardineiras, no bairro de Copacabana. Ela se interessou pelo teatro ainda menina, quando assiste a récitas no Municipal. Soube do grupo de atores liderados por Abdias do Nascimento, o Teatro Experimental do Negro. Não pensou duais vezes e entrou na companhia e faz sua estreia em O imperador Jones, de Eugene O’Neill, em 8 de maio de 1945, no palco do Municipal.
Quando surgi uma oportunidade:
A oportunidade bateu na porta de Ruth, quando recebeu bolsa de estudo da Fundação Rockefeller e passa um ano nos Estados Unidos: na Universidade Harvard, em Washington, e na Academia Nacional do Teatro Americano, em Nova York, graças a indicação de Paschoal Carlos Magno. Em 1948, foi indicada pelo autor Jorge Amado, estreia no cinema em Terra violenta, adaptação do seu romance Terras do sem fim - com direção do norte-americano Edmond Bernoudy, o filme tem ainda no elenco Anselmo Duarte, Maria Fernanda, Heloisa Helena e Ziembinski. A partir daí, sua carreira de atriz prossegue focada no cinema. Em 1953 ela aceita o papel para trabalhar em Sinhá Moça, todos dirigidos por Tom Payne. Por seu desempenho em Sinhá Moça, torna-se a primeira atriz brasileira indicada para prêmio internacional: o Leão de Ouro, no Festival de Veneza de 1954, em que disputa com estrelas como Katherine Hepburn, Michele Morgan e Lili Palmer, para quem perde por dois pontos. Em 1958 filma Ravina, com Rubem Biáfora, um marco na cinematografia brasileira.
Outros reconhecimentos:
Em 1959, ela volta aos palcos, quando protagoniza Oração para uma Negra, de William Faulkner, com Nydia Licia e Sérgio Cardoso, no Teatro Bela Vista, em São Paulo - um momento especial em sua carreira. Depois de atuar em radionovelas, trabalha nos teleteatros da Tupi e da Record. Em 1969 integra o elenco da TV Globo e nela se torna a primeira atriz negra a protagonizar uma novela: A Cabana do Pai Tomás, na qual divide o estrelato com Sérgio Cardoso. Depois de atuar em radionovelas, trabalha nos teleteatros da Tupi e da Record. A partir daí participa intensamente da teledramaturgia da emissora há 30 anos.
Considerações finais:
Ruth foi sem duvida uma artista negra brasileira brilhante de todos os tempos. Considerada uma das grandes damas da dramaturgia brasileira e a primeira grande referência para artistas negros na televisão por seus papéis notáveis. A atriz faleceu em 28 de julho de 2019, aos 98 anos, quando internada no centro de Tratamento Intensivo do Hospital em Copacabana, na Zona Sul do Rio, em tratamento de uma pneumonia.
Léa Garcia (1933 - Presente)
Léa Garcia é uma das principais atrizes negras do Brasil. Foi indicada ao prêmio de melhor interpretação feminina no Festival de Cannes em 1957 por sua atuação no filme Orfeu Negro, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro. No teatro, uma das peças de destaque que fez no início de sua trajetória foi Orfeu da Conceição (1956), de Vinicius de Moraes. Cotada primeiro para ser Eurídice, no entanto ela se encantou com a personagem Mira e conseguiu o papel. Os ensaios se realizaram na casa do próprio autor e a estreia aconteceu no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com cenários de Oscar Niemeyer. No elenco estavam Haroldo Costa, Zeni Pereira, Pérola Negra e Ciro Monteiro.
Como tudo começou:
Léa nasceu acredite na Praça Mauá, no Rio de Janeiro, no ano de 1933, Léa tornou-se atriz em um momento da história em que esse não era um trabalho comum para mulheres negras. Ela quebrou barreira e preconceito para realizar seu sonho. Quando sua mãe morreu passou a morar com sua avó aos 11 anos, desde jovem, demonstrou o desejo de se envolver com o universo artístico, mas em outro campo. Na verdade ela queria cursar Letras para ser escritora. ao conhecer Abdias Nascimento. Com quem teve dois filhos. O dramaturgo e ativista apresentou a ela a sua estante de livros e sugeriu a leitura das tragédias gregas, conseguiu convence-la subir no palco pela primeira vez no Teatro Experimental do Negro, a partir de então nasceu uma paixão pelas artes cênicas.
A conquista da oportunidade:
A sua estreia em televisão se deu no Grande Teatro da TV Tupi, em 1950. Lá na emissora participou também do programa Vendem-se Terrenos no Céu, em 1963. O convite para trabalhar na Globo aconteceu em 1970, quando ela integrou o elenco de Assim na Terra como no Céu, de Dias Gomes. Depois só aumentou convites, ela fez Minha Doce Namorada (1971), de Vicente Sesso, dirigida por Daniel Filho e O Homem que Deve Morrer (1971), de Janete Clair, novela que trazia a história de dois casais inter-raciais, novidade à época. Léa Garcia trabalhou também na TV Rio, onde atuou em Os Acorrentados (1968), de Janete Clair, ao lado Dina Sfat, com Beth Faria, Monah Delacy e Ivone Hoffmann.
Outros trabalhos:
Léa teve a oportunidade de participar do primeiro programa gravado inteiramente em cores no país, Meu Primeiro Baile, Caso Especial exibido em 1972. No mesmo ano, foi convidada para ser a Elza, uma secretária em Selva de Pedra, novela de Janete Clair que teve bastante sucesso. Na emissora, atuou em Os Ossos do Barão (1973), de Jorge Andrade e em mais uma novela de Janete Cair, Fogo Sobre Terra (1974), quando contracenou com Herval Rossano, antes de ele se tornar diretor de sucesso. No ano seguinte, 1975, integrou o elenco de A Moreninha, de Marcos Rey. Mais foi em Escrava Isaura (1976) que obteve êxito um fenômeno de audiência no Brasil e no exterior. Foi a primeira vilã de Léa Garcia na TV, o que lhe rendeu também problemas, além do reconhecimento de público. A atriz sofreu inclusive violência física de pessoas que não conseguiam separar a personagem da vida real. Dona Beija (1986), de Wilson Aguiar Filho, e Helena (1987), de Mario Prata na TV Manchete. A atriz fez uma aparição breve em Xica da Silva (1996), de Walcyr Carrasco e no mesmo ano também na TV Bandeirantes, atuou na novela O Campeão (1996). Léa Garcia volta à Globo e é escalada para o elenco de Anjo Mau (1997), de Maria Adelaide Amaral. Ela fez nas novelas na Record em Cidadão Brasileiro (2006), de Lauro César Muniz; Luz do Sol (2007), de Ana Maria Moretzsohn; e A Lei e o Crime (2009). Entre os filmes dos quais Léa Garcia participou ao longo de sua trajetória, está As Filhas do Vento (2005), vencedor de diversos prêmios no Festival de Gramado. Realizado por um diretor negro, Joel Zito Araújo, com um elenco de atores negros, a produção tem temática racial e conta uma história de redenção amorosa entre irmãs. O retorno à Rede Globo ocorreu em 2016, em Êta Mundo Bom!, de Walcyr Carrasco, dirigida por Jorge Fernando, com quem ainda não havia trabalhado.
Considerações finais:
De fato Léa é uma lenda no mundo artístico, lutou e conquistou o seu espaço, de origem humilde, negra e sonhadora ela nunca deixou o preconceito atrapalhar seus sonhos. Léa Garcia é também roteirista e tem escrito, para cinema, adaptações de textos de autores negros, como Cidinha da Silva, Luiz Silva Cuti e Muniz Sodré. E ela continua atuando sempre quando tem oportunidade. Viva a Arte Negra! Viva Léa Garcia!
Milton Gonçalves (1933-Presente)
Milton Gonçalves foi também o primeiro brasileiro a apresentar uma categoria na cerimônia de premiação do Emmy Internacional em 2006 em participação especial que foi uma homenagem ao mestre do humor Chico Anysio. Milton é um ator, diretor, cantor, dublador e produtor brasileiro. Ele é casado com Oda Gonçalves desde 1966, com quem tem três filhos, incluindo o ator Maurício Gonçalves.
Como tudo começou:
Tudo começou em São Paulo. Milton trabalhava como gráfico quando, um dia, a convite do ator Egídio Écio para assistir à peça A Mão do Macaco, saiu maravilhado. Nasceu ali uma paixão pelo teatro, Tratou de entrar logo para um clube de teatro amador, do qual passou para um grupo profissional. No teatro Milton aprendeu história do teatro, impostação de voz, postura, filosofia, arte e política.
A entrada na TV:
Na década de 1970, esteve no elenco da telenovela Irmãos Coragem como Braz Canoeiro. Em 1975, esteve em obras como Gabriela como Filó; Roque Santeiro como Padre Honório (versão censurada) e Pecado Capital como Percival. Nos primeiros anos da década de 1980, interpretou um padre em Chega Mais e, logo em seguida, foi Otto Rodrigues e Damião nas telenovelas Baila Comigo e Terras do Sem-Fim, respectivamente. No início da década de 1990, esteve em Gente Fina e Araponga como Nei Assunção e Zé das Couves, respectivamente; além de viver Batista em Felicidade. Em 1996, esteve nas telenovelas O Fim do Mundo, O Rei do Gado e Anjo de Mim. Dois anos depois, foi Clemente na minissérie Dona Flor e Seus Dois Maridos. Nos primeiros anos da década de 2000, participou das séries A Grande Família e Brava Gente; depois foi Matias em Esperança e Lázaro em Começar de Novo. Na década de 2010, foi Gregório em Insensato Coração e Afonso em Lado a Lado. Em 2018, esteve em O Tempo Não Para como Eliseu; e participou da minissérie Se Eu Fechar os Olhos Agora.
Passagem pro cinema:
Estreou no cinema em 1958 em O Grande Momento. Em 1960, esteve em obras como Cidade Ameaçada, Cinco Vezes Favela, Grande Sertão Paraíba, Vida e Morte de um Bandido, Toda Donzela Tem um Pai que É uma Fera entre outros. Já em 1970, esteve em obras como As Quatro Chaves Mágicas, Robin Hood e Rainha Diaba, lançado em 1975, no qual interpretou o personagem principal, foi eleito Melhor Ator pelo Festival de Brasília. E em 1980, participou de filmes como Eles Não Usam Black-Tie, Aguenta Coração, O Rei do Rio entre outros. Milton, esteve em obras como Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão, Carandiru, As Filhas do Vento em 2000.
Considerações finais:
Em 2003, ele foi homenageado na 31.ª edição do Festival de Gramado por ter participando em mais de 100 filmes nacionais. Milton será um grande influenciador como ator inclusive escreveu quatro peças, uma delas montada pelo Teatro Experimental do Negro e dirigida por Dalmo Ferreira quando esteve no inicio da carreira. Ah, ele chegou a tentar a carreira política, nos anos 90, ao candidatar-se a governador do estado do Rio de Janeiro, em 1994. Há quem pense que Milton largou a atuação, sempre que tem oportunidade ele está em cena.
Zezé Motta (1944- Presente)
Maria José Motta mais conhecida como Zezé Motta, é uma consagrada atriz e cantora brasileira, considerada uma das maiores artistas do país, expoente da cultura afro-brasileira. Além disso, também foi protagonista do filme Xica da Silva, papel que a destacou como 'Melhor Atriz' no Festival de Brasília, Coruja de Ouro, Prêmio Air France e Prêmio Governador do Estado.
Como tudo começou:
Nascida em uma família humilde em Campos, no interior fluminense, mudou-se com seus pais e irmão para o Rio de Janeiro, aos 2 anos de idade, em busca de uma vida melhor. Sua mãe era costureira, trabalhando aos finais de semana em casa e durante a semana em uma confecção, e seu pai, motorista, que também escrevia músicas e cantava eventualmente na noite quando estava de folga do trabalho. A família mudou-se para o Morro do Cantagalo, em Copacabana. Como ela ficava mais com a tia que era empregada domestica e com o tio porteiro do prédio fez amizade com Marieta Severa que era moradora do prédio. Devido a dificuldades financeiras, seu irmão foi viver com a avó em Campos, e Zezé foi matriculada em um colégio interno, o Asylo Espírita João Evangelista, onde permaneceu dos 6 aos 12 anos, onde dividia espaço com sessenta meninas. Era para ter ficado lá até completa 16 anos, mas saiu antes porque a situação financeira da família melhorou, pois sua mãe montou um ateliê de moda, na residência da família, e a atriz mudou-se com os pais e o irmão para um apartamento no Leblon. O pai de Zezé viu que ela tinha talento com a musica, a incentivava cantar e levava para cantar na noite com ele. Já sua mãe não gostava da carreira artística, querendo que a filha fosse costureira como ela, que com o tempo acabou aceitando a vocação artística da filha. Para ajudar nas despesas do lar, e sem ter conseguido oportunidades como artista, Zezé trabalhou como operária em uma indústria farmacêutica, e a noite estudava o curso normal de formação de professoras. Ela era da mesma sala de aula que sua cunhada, que a incentivou a voltar a estudar.
A entrada para o teatro:
Passou a frequentar um curso de teatro: Teatro Tablado onde formou-se como atriz. Ela começou participando de diversas peças populares de teatro, e iniciou profissionalmente sua carreira de atriz em 1967. Sua carreira de cantora teve início em 1971, em casas noturnas paulistanas. De 1975 a 1979, lançou três LPs. Nos anos 1980, lançou mais três discos. Iniciou sua trajetória em 1968 na telenovela Beto Rockfeller, da Rede Tupi, atuando como Zezé. Quatro anos mais tarde, foi para Rede Globo viver Zezinha em A Patota. Em 1974, foi Doralice em Super Manoela e, dois anos depois, esteve na pele de Jandira em Duas Vidas. Na década de 1980, atuou nas telenovelas Transas e Caretas e Corpo a Corpo como Dorinha e Sônia, respectivamente. Em 1994, interpretou Rubina em Memorial de Maria Moura e, no ano seguinte, participou da telenovela A Próxima Vítima no papel de Fátima. Em 1996, esteve no elenco de Xica da Silva como a Maria da Silva (mãe da protagonista). Três anos mais tarde, concluiu o decênio atuando como Conceição em Chiquinha Gonzaga. Na década de 2000, viveu Irene na telenovela Esplendor e atuou na obra portuguesa Garrett, baseada na biografia de Almeida Garrett. Entre 2001 e 2002, esteve em Porto dos Milagres como Mãe Ricardina e O Beijo do Vampiro como Mãe Ricardina e Nadir, respectivamente. No início da década de 2010, atuou como Dalva (Dadá) na telenovela Rebelde e participação em em Escrava Mãe como Tia Joaquina e na telenovela portuguesa Ouro Verde como Neném.
Outras participações:
Também fez parte do elenco do Telecurso 2000, programa educativo da Rede Globo. Além disso, participa esporadicamente de discussões sobre o papel dos negros na teledramaturgia. Interpretou na versão em português Ciclo da vida (Circle of life) do Rei Leão de 1994. Dublou a bruxa Úrsula no filme A Pequena Sereia, clássico da Disney de 1989. Zezé Motta fez dueto com Taiguara em seu último álbum de estúdio, Brasil Afri, de 1994, na faixa "África Mãe".
Passagem no cinema:
Estreou nas telonas no início da década de 1970 como Freguesa do Bar Viajantes no filme Cléo e Daniel. Em 1973, esteve no elenco de Vai Trabalhar, Vagabundo! e, no ano seguinte, participou dos longas Um Varão Entre as Mulheres e Banana Mecânica como Marilda. Em 1977, deu vida às personagens Dandara em Cordão de Ouro; uma empregada em Ouro Sangrento e Estrela em A Força do Xangô. Seu maior triunfo foi protagonista do filme Xica da Silva, obra dirigida por Cacá Diegues, papel que a destacou como 'Melhor Atriz' no Festival de Brasília, Coruja de Ouro, Prêmio Air France e Prêmio Governador do Estado. Ela atuou como Maria das Graças em Águia na Cabeça em 1980; esteve em Para Viver um Grande Amor e foi Dandara em Quilombo. E participou dos longas Sonhos de Menina-Moça como Vicky; Anjos da Noite como Malú e Jubiabá como Rosenda.
Considerações finais:
A atriz foi casada por cinco vezes, com homens de fora do meio artístico. Em entrevistas revelou que sofreu três abortos espontâneos, frutos de três relacionamentos diferentes. Ainda não descobriram a razão dos repetidos abortos, foi recomendado que a atriz fizesse repouso absoluto para levar uma gestação até o final. Zezé tem seis filhos: Luciana, Cilene, Nadine, Cíntia , Carla e Robson. Ela se tornou avó de quatro netos. Ela foi apaixonada pelo ator Antônio Pitanga, que foi seu primeiro namorado, com quem se relacionou dos 21 aos 23 anos. Zezé declara como religião o candomblé, sua mãe era Testemunha de Jeová, e seu pai era espírita. A atriz foi homenageada na Sapucaí, nos carnavais de 1989 e 2017, pelas escolas Arrastão de Cascadura e Acadêmicos do Sossego respectivamente. Sua mãe, Maria Elazir, morreu aos 95 anos em 3 de maio de 2020. Ela era diabética e hipertensa, e ficou internada por dez dias no Hospital da Aeronáutica, no Rio de Janeiro. Militante do Movimento Negro Unificado (MNU), denunciou racismos e atuou ativamente para combatê-lo, organizando por exemplo um arquivo de atores negros para que não haja o silenciamento destes artistas. Zezé é uma artista influenciadora negra e mostra que nada é impossível para conquistar o movimento artístico negro.
Chica Xavier (1932-2020)
Francisca Xavier Queiroz de Jesus, nome artístico Chica Xavier, eternizou personagens emblemáticas, atuou no teatro nacional por mais de 60 anos destacando-se como grande personalidade da representatividade negra na arte do Brasil. Chica foi uma produtora teatral e atriz de teatro, cinema e televisão brasileira. E recebeu o Troféu Palmares, concedido pela Fundação Palmares e o então Ministério da Cultura, por sua contribuição às artes e à cultura afro-brasileira.
Como tudo começou:
Chica Xavier nasceu em Salvador, na Quinta da Barra, hoje Barra Avenida, em 22 de janeiro de 1932. Começou a trabalhar com apenas 14 anos de idade, na Imprensa Oficial do Estado da Bahia, como aprendiz de encadernadora.
Sua entrada para o teatro, televisão e cinema:
Em 1953 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou teatro com Pascoal Carlos Magno. Três anos mais tarde, em 25 de setembro de 1956, Chica estreava no Teatro Municipal, com a peça Orfeu da Conceição, ao lado de Haroldo Costa, Léa Garcia, Cyro Monteiro, Dirce Paiva, Clementino Kelé, entre outros. Em 1962, Chica estreou no cinema, no filme “Assalto ao Trem Pagador” (1962), dirigido por Roberto Farias. Trabalhou em diversas produções da Rede Globo. Em 1973 Chica estreou oficialmente na TV, na novela “Os Ossos do Barão”. Desde então, foram mais de 50 personagens só em televisão.
Homenagens e reconhecimentos:
Ainda em 1999, foi uma das homenageadas do enredo "Quatro Damas Negras" da escola de samba Lins Imperial, que desfilou na Sapucaí do Carnaval Carioca. Ela desfilou na última alegoria, junto as demais homenageadas Ruth de Souza, Zezé Motta e Léa Garcia. Em 2006, Chica comemorou dois aniversários importantes: os 50 anos de carreira e as Bodas de Ouro dela e seu marido, o também ator Clementino Kelé. Em 2010, recebeu o Troféu Palmares, concedido pela Fundação Palmares e o então Ministério da Cultura, por sua contribuição às artes e à cultura afro-brasileira. Em 2011 ganhou o Centro Cultural Atriz Chica Xavier no Projeto Social No Palco da Vida, coordenado pelo ator Wal Schneider, onde guarda o acervo contando sua carreira no Teatro, TV e Cinema. Em 2013, a escritora Teresa Montero publicou sua biografia, "Chica Xavier: Mãe do Brasil" registrando a trajetória da atriz na TV, no cinema e no teatro.
Considerações finais:
Casou-se em 1956 com o ator Clementino Kelé, que foi seu primeiro e único namorado. A historia dos dois podia virar filme, eles se conheceram em Salvador, onde ambos moravam. Clementino era elegante, perfumadíssimo, falando inglês e cheio de namoradas na época. Viviam se esbarrando pelas ruas da capital baiana, até que, seguindo sua vocação, Chica decidiu estudar teatro no Rio de Janeiro. Foi aí que eles se descobriram mais que amigos e sentiram que não podiam se separar começaram a namorar em 1953, quando Clementino declarou-se para Chica, e decidiu deixar Salvador e vir com ela para o Rio de Janeiro, para juntos tentarem realizar o sonho de trabalhar com artes cênicas, o que conseguiram. Juntos, o casal teve três filhos: Clementino Filho, Izabela e Christina. Chica era seguidora do candomblé e mãe de santo. Morreu em 8 de agosto de 2020 no Rio de Janeiro, aos 88 anos, em decorrência de um câncer de pulmão. Ela era uma grande artista grande referencia para os artistas negros brasileiros que sonham alcançar o sucesso nessa área.
Grande Otelo (1915-1993)
Grande Otela grande artista é frequentemente citado com um dos mais importantes atores da história do Brasil. Em 1942 participou do filme It's All True, de Orson Welles. O intérprete e diretor norte-americano considerava Grande Otelo o maior ator brasileiro. Era artista de cassinos cariocas e do chamado teatro de revista, participou de diversos filmes brasileiros de sucesso, entre eles, as famosas chanchadas nas décadas de 1940 e 1950, que estrelou em parceria com o cômico Oscarito, e a versão cinematográfica de Macunaíma, realizada em 1969.
Como tudo começou:
Sua vida teve várias tragédias. Seu pai morreu esfaqueado e a mãe era alcoólatra. Quando já era um ator consagrado, sua mulher cometeu suicídio logo após matar com veneno seu filho de seis anos de idade, que era enteado do ator. Grande Otelo vivia em Uberlândia quando conheceu uma companhia de teatro mambembe e fugiu com eles, com o consentimento da diretora do grupo, Abigail Parecis, que o levou para São Paulo. Ele voltou a fugir e acabou no Juizado de Menores, até ser adotado pela família do político Antônio de Queiroz. Otelo estudou então no Liceu Coração de Jesus, até a terceira série ginasial. Participou na década de 1920, da Companhia Negra de Revistas, que tinha Pixinguinha como maestro.
Aparecimento em cinemas:
Já em 1932 que entrou para a Companhia Jardel Jércolis, um dos pioneiros do teatro de revista. Nesta época ganhou o apelido de Grande Otelo, que adotou como nome artístico. Em 1942 participou do filme It's All True, de Orson Welles. O intérprete e diretor norte-americano considerava Grande Otelo o maior ator brasileiro. Otelo fez inúmeras parcerias no cinema, sendo a mais conhecida com Oscarito. Depois os produtores formariam uma nova dupla dele com o cômico paulista Ankito. No final dos anos 50, ele formou dupla em vários espetáculos musicais e também no cinema, com Vera Regina, uma negra alta que lembrava a famosa dançarina americana naturalizada francesa Josephine Baker. No entanto, com o fim da parceria, Otelo passou por um período de crise, até voltar ao sucesso no cinema com sua grande atuação como o personagem título de Macunaíma (1969), baseado na obra de Mário de Andrade. Estrelou ao lado de Miriam Batucada o exitoso espetáculo Samba, coisa e tal, produzido por Haroldo Costa. Participou também do filme de Werner Herzog, Fitzcarraldo (1982), filmado na floresta amazônica. Nos anos 60, Otelo passou a ser contratado da TV Globo, emissora na qual atuou em diversas telenovelas de grande sucesso, como Uma Rosa com Amor. Também participou do humorístico Escolinha do Professor Raimundo, no início dos anos 1990. Seu último trabalho foi na telenovela Renascer (1993), pouco antes de morrer.
Considerações finais:
O seu legado não foi apagado, encontra-se disponível para acesso pela web grande parte do Acervo Grande Otelo, recebido oficialmente pela Fundação Nacional da Arte (FUNARTE) em dezembro de 2007-2008. O material estava há vários anos em um apartamento no bairro da Tijuca, guardado em caixas de papelão, nas quais foram descobertos manuscritos, livros de autoria do ator, e outros com dedicatórias de amigos e personalidades reconhecidas da cultura brasileira. Foram encontrado letras de música compostas por ele e parcerias, discos em vinil, fitas-cassete com os mais variados conteúdos (entrevistas, músicas e programas apresentados pelo artista); prêmios e homenagens (troféus, placas, diplomas e certificados) recebidos durante a sua carreira, roteiros de cinema, TV, teatro, rádio, shows, partituras, correspondências, livros, monografias, poemas, fotos, obras de arte, recortes de jornais e revistas entre outros. Otela Teve cinco filhos, um deles o também ator José Prata, atuou na versão de 1986 da novela Sinhá Moça, no papel de Bentinho já outro filho do artista, Carlos Sebastião Vasconcelos Prata, na mesma época, havia se tornado morador de rua. Grande Otelo morreu em 1993, de um infarto fulminante, ao desembarcar em Paris, de onde seguiria para uma homenagem que receberia no Festival dos três continentes em Nantes. Foi enterrado no Cemitério São Pedro em Uberlândia (Minas Gerais), sua cidade natal havendo um grande cortejo.

Enquanto imperar a filosofia de que há uma raça inferior e outra superior o mundo estará permanentemente em guerra.
Haile Selassie
Até que a cor da pele de um homem não tenha maior significado que a cor dos seus olhos haverá a guerra.
Bob Marley
Ninguém é responsável pela cor da pele. Esse fato da natureza não revela o caráter ou a qualidade da pessoa.
Marian Anderson
Por que existe preconceito em relação à cor da pele, se nossas sombras são da mesma cor?
Arthur Sousa Pinheiro
Há esses artistas nossa homenagem nesse dia,
Dia da Consciência Negra não é para ser lembrado da escravidão e sim da liberdade e das conquistas que muitos negros e negras conquistaram deixando seus legados impagáveis. Confira também
A Literatura Negra nesse dia da consciência. Não deixe de comentar outros artistas negros que ficaram na história, compartilha conosco.
Voltaremos mais com #Curiosidade da semana
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