Curiosidade do Dia. Especial Dia da Consciência Negra: Negros na educação e suas conquistas

 



A Educação de fato mudam vidas que transforma um país e a sociedade. E dentro desse contexto não poderia deixar de mencionar a educação aos educadores que tem um papel fundamental dentro e fora da sala de aula, capaz de mudar o olhar e perspectiva na vida de muitos alunos, ressaltando a importância dos estudos para conquistar um futuro melhor através dos estudos. Para o Curiosidade do dia especial Dia da Consciência Negra não poderia deixar de falar sobre A Conquista Negra na Educação e seus legados que inspira até hoje muitos educadores, alunos e professores negros.  


 Hemetério José dos Santos (1858-1939)























Não poderia deixar de contar a historia do professor Hemetério José dos Santos, um intelectual negro que lutou por uma educação para todos e um detalhe, em uma sociedade antirracista durante o fim do século XIX e metade do seculo XX. 

Inicio:

 Hemetério nasceu em Codó (Maranhão) em 1858, trinta anos antes da abolição da escravidão no Brasil. Quando Hemetério mudou para o Rio de Janeiro, onde terminou os estudos aos 16 anos  e se tornou professor explicador de francês no Colégio Pedro II. Ali, até mesmo o próprio imperador que passava pelo colégio ficou admirado pela maneira de como ele ministrava a aula e pela sua competência. 

Trajetória:

Além de lecionar no Colégio Pedro II ele lecionou na Escola Normal do Distrito Federal, onde lecionava gramatica portuguesa e no Colégio Militar do RJ onde recebeu patente de major do exercito e tenente coronel honorário. Foi educador na instituição que exercia a função de coordenar e controlar as atividades pedagógicas no Brasil. Ele tinha ação como educador de forma brilhante e suas aulas tratavam de combater o racismo e ensinar a cultura dos povos africanos. 

Desafios e Legado: 

Assim como outros antes do professor embora negro sofreu preconceitos de pais que verem um professor negro ensinando seus filhos era inaceitável. Porém foi o primeiro e único professor negro do Colégio Militar o que lhe obrigava se impor e sem abaixar a cabeça pelo preconceito sofrido. E em seu ativismo, ele fez criticas a Machado de Assis, argumentando que o escritor embora mulato teria ignorado os negros em sua obra, e  quando o retratava, era de forma pejorativa (se refere aos negros como vesgos e zarolhos, passando imagem preconceituosa vigente na literatura e na sociedade de seu temo) 

Ao longo da vida, publicou livros, escreveu para jornais e se firmou como um respeitado estudioso da língua portuguesa, a ponto de ser um dos patronos da Academia Brasileira de Filologia. Sua atuação, no entanto esteve sempre ligada às questões raciais e a educação dos mais pobres seja branco ou negro. 

Hemetério foi fundador da Academia Brasileira de Filologia, ocupando a cadeira de número 25 do qual é patrono.  

Antonieta de Barros (1901-1952)




A Antonieta de Barros foi uma das primeiras mulheres eleitas no Brasil e a primeira negra brasileira a assumir um mandato popular. E tendo sido pioneira e inspiração para o movimento negro, apesar de um grande apagamento de sua história, que vem sendo retomada aos poucos.  Ela também foi professora e começou a lecionar depois de formada em 1921. 

Inicio: 

Antonieta nasceu em 11 de julho de 1901. Era filha da lavadeira Catarina de Barros (ou, conforme alguns registros) e de Rodolfo José de Barros, um funcionário dos Correios. E tinha três irmãos - Maria do Nascimento, Cristalino José de Barros e Leonor de Barros. Seu pai morreu cedo, e sua mãe trabalhava na casa do político Vidal Ramos, pai de Nereu Ramos, que viria a ser vice-presidente do Senado e foi o único catarinense a assumir a Presidência da República. Graças a isso ela teve interesse para entrar na politica com ajuda futura de Ramos. Anos mais tarde a mãe dela, transformou sua casa em uma pensão para estudantes, e a convivência com esses estudantes ajudou a incentivar Antonieta e sua irmã Leonor a se alfabetizarem. Leonor também se tornou professora, e ela e Antonieta deram aulas para dois governadores catarinenses. 

Trajetória: 

Antonieta seguiu os estudos aos 17 anos já escrevia na Revista da Escola Normal em um prenuncio de sua futura carreira no jornalismo e presidiu o Grêmio Estudantil no ano seguinte. Concluiu o ensino que formava professoras em 1921. Em 1922, cria o Curso Particular Antonieta de Barros em sua casa, voltado para alfabetização da população carente, que foi conduzido por ela durante toda a sua vida. Pretendia seguir no ensino superior, mas em sua época o curso de direito era proibido a mulheres. Com carreira promissora como professora ela se torna diretora ano mais tarde na escola onde estudou diretora entre 1944 a 1951, período onde a escola já tinha sido renomeada para Colégio Estadual Dias Velho. Ela foi exonerada da diretoria por motivos políticos em 1951.

Desafios e legado:


O desafio de Antonieta era levar alfabetização para as crianças de vulnerabilidade e dá a elas um futuro melhor ensinando e educando. Além de professora ela atuou como jornalista e escritora, destacando-se pela coragem de expressar suas ideias dentro de um contexto histórico que não permitia às mulheres a livre expressão.  

E cheia de coragem se candidatou nas eleições e foi a primeira deputada estadual mulher e negra do país e uma pioneira no combate à discriminação dos negros e das mulheres. Durante a vida, Antonieta foi uma mulher séria, comprometida e assertiva, mas também enérgica e humana.


Maria Firmina dos Reis (1822-1917)



















Maria Firmina dos Reis foi uma escritora brasileira e é considerada a primeira romancista negra do Brasil. O maior sucesso foi quando publicou em 1859 o livro Úrsula, considerado o primeiro romance abolicionista do Brasil. Para quem não saiba o romance conta a historia de um triangulo amoroso no qual os personagens são pessoas negras que contestam o sistema escravocrata  e a sonhada liberdade. Além de escritora Firmina era professora sua segunda paixão em ensinar. 

Inicio:

Maria Firmina dos Reis nasceu na Ilha de São Luís, no Maranhão, em 11 de março de 1822, sendo batizada somente a 21 de dezembro de 1825, em virtude de uma enfermidade que a acometeu nos primeiros anos de vida. Somente em 25 de junho de 1847, se inscreveu no concurso público de primeiras letras de São José de Guimarães para idade mínima de 25 anos- então ela foi a luta e conseguiu nova certidão de justificação de batismo com muita dificuldade. Em 1830, mudou-se com a família para a vila de São José de Guimarães, no continente. Viveu parte de sua vida na casa de uma tia materna mais bem situada economicamente. Em 1847, concorreu à cadeira de Instrução Primária nessa localidade e, sendo aprovada, ali mesmo exerceu a profissão, como professora de primeiras letras, de 1847 a 1881. Maria Firmina dos Reis nunca se casou.

Trajetória: 

Em 1859, publicou o romance Úrsula considerado o primeiro romance de uma autora do Brasil. Em 1887, publicou na Revista Maranhense o conto "A Escrava", no qual se descreve uma participante ativa da causa abolicionista. Maria Firmina dos Reis participou da vida intelectual maranhense: colaborou na imprensa local, publicou livros, participou de antologias, e, além disso, também foi musicista e compositora. Ela chegou receber a nomeação aos 22 anos de idade, sua mãe queria que fosse de palanquim receber a nomeação, mas a autora optou por ir a pé, dizendo a sua mãe: "Negro não é animal para se andar montado nele."

 
Desafios e legados: 

Anos antes de se aposentar, Maria Firmina fundou em Maçarico, a poucos quilômetros de Guimarães, ministrava aula mista e gratuita para alunos que não podiam pagar, as aulas era ministradas num barracão em propriedade de um senhor de engenho, à qual se dirigia toda manhã num carro de boi. Lá, lecionava às filhas do engenho, aos alunos que levava consigo. Esse experimento ousado para época vai ao encontro das lutas das feministas brasileiras que desejavam a igualdade de ensino para meninas. Maria era acanhada, frágil, tímida e consequência melancólica. 

Maria Firmina dos Reis morreu, cega e pobre, aos 95 anos, na casa de uma ex-escrava, Mariazinha, mãe de um dos seus filhos de criação. É a única mulher dentre os bustos da Praça do Pantheon, que homenageiam importantes escritores maranhenses, em São Luís. 


Lélia Gonzalez  (1935-1994)



















E por ultimo não menos importante a Lélia Gonzalez  foi uma intelectual, autora, ativista, professora, filósofa e antropóloga brasileira. Sendo considerada uma das principais autoras do feminismo negro no país. Ademais, foi pioneira em pesquisas sobre Cultura Negra no Brasil e co-fundadora do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras do Rio de Janeiro. E sua importância na educação como professora e antropóloga brasileira. 

Inicio:

Filha de um operário e de uma empregada doméstica, Lélia de Almeida nasceu na cidade de Belo Horizonte/Minas Gerais, em 1º de fevereiro de 1935. O sobrenome Gonzalez foi herdado do espanhol Luiz Carlos Gonzalez, com quem se casou no final da década de 1960. No início de sua vida no Rio, Lélia trabalhou pela primeira vez como babá. Seguiu seus estudos em escolas públicas e em 1954 concluiu os ensinos no prestigiado Colégio Pedro II, tradicional instituição de ensino carioca. Sua qualidade educacional e anos de estudo mudaram o rumo de sua vida.

Trajetória:

Quatro anos depois, graduou-se em História e Geografia. Em 1962, tornou-se bacharel em Filosofia pela Universidade Estadual da Guanabara, atual UERJ. Como professora universitária, lecionou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Gama Filho, também na capital fluminense. 
Autora dos livros Lugar de negro, publicado em 1982 (em coautoria com Carlos Hasenbalg) e Festas Populares no Brasil, lançado em 1987. Lélia Gonzalez teve participação destacada em um dos momentos mais significativos da história da população negra no Brasil: ao lado de outros militantes, fundou em 1978, na cidade de São Paulo, o Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial (MNUCDR, sigla mais tarde reduzida para MNU), que em seu manifesto denunciava a falácia do mito da democracia racial, reivindicava o fim da violência e da discriminação sofrida pelos negros cotidianamente, além de exigir políticas públicas em benefício da comunidade afro-brasileira. 


Desafios e legado:

Seus escritos, simultaneamente permeados pelos cenários da ditadura militar e da emergência dos movimentos sociais, são reveladores das suas múltiplas inserções e identificam sua constante preocupação em articular as lutas mais amplas da sociedade com a demanda específica dos negros e, em especial das mulheres negras. Em seus textos, além de combinar saberes, Gonzalez adota um estilo peculiar, com uso de uma linguagem informal e irreverente para abordar esses conceitos. Sua voz ecoou pelo mundo, tornando-a uma referência internacional em diversas universidades e nas Nações Unidas.

Lélia morreu no dia 11 de julho de 1994 aos 59 anos, vítima de um infarto, em sua casa no Cosme Velho, na cidade do Rio de Janeiro.

























Muitos são as conquistas dos negros e seus legados deixado para servir de inspiração e encorajamento para continuar conquistando e avançando para melhor seus sonhos e mudança na sociedade e no mundo dos magistérios e educação. Dia da Consciência Negra não é para ser lembrado da escravidão e sim da liberdade e das conquistas que muitos negros e negras conquistaram deixando seus legados impagáveis.



Voltaremos com mais #CuriosidadesdaSemana 



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