Após 134 anos da tal Abolição, 'assinada' no dia 13 de maio, de 1888 com a assinatura da regente do Brasil, a princesa Isabel, negros e negras continuam lutando pela liberdade. E de lá para cá muitas lutas, conquistas e avanços para a melhoria na vida negra continua sendo batalha árdua para alcançar o que ainda precisa ser alcançado. E sem medir violências e discurso de ódio como alguns ativistas negros ainda pregam e sim com diálogos e defesa para requerer os direitos que os negros (as) e pardos (as) precisam e tem direitos de terem. A Curiosidade da Semana especial Dia da Consciência Negra falará sobre as conquistas e personalidades da vida negra que deixaram seus legados nos espaços sociais e políticos que quebraram barreiras e investiram em seus sonhos. Conheça as conquistas negras nos espaços políticos e sociais, e que até hoje tem seus legados:
André Pinto Rebouças (1838-1898)
André foi um engenheiro, inventor e abolicionista brasileiro. Em 1854, André Rebouças ingressou na Escola Militar do Rio de Janeiro, concluindo o curso preparatório para oficialato em 1857 como 2° tenente. Apaixonado por exatas bacharelou-se em 1859 em Ciências Físicas e Matemáticas pela Escola Militar da Praia Vermelha, obtendo o grau de engenheiro militar em 1860. Ele ganhou fama no Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, ao solucionar o problema de abastecimento de água, trazendo-a de mananciais fora da cidade. Em 1871, André e seu irmão Antônio, também engenheiro, apresentaram ao imperador D. Pedro II o projeto da estrada de ferro ligando a cidade de Curitiba ao litoral do Paraná, na cidade de Antonina.
Sua trajetória:
André Rebouças assim como Machado de Assis, Cruz e Sousa e José do Patrocínio, foram um dos representantes da pequena classe média negra em ascensão no Segundo Reinado e uma das vozes mais importantes em prol do abolicionismo no Brasil. E ajudou a criar a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Com a abolição, veio também a queda do império, e, assim, em 1889, André Rebouças embarcou, juntamente com a família imperial, com destino à Europa. Por dois anos, ele permanece exilado em Lisboa, como correspondente do The Times de Londres. Posteriormente, transferiu-se para Cannes, onde permaneceu até a morte de D. Pedro II, em 1891.
Seu legado:
André sem duvida deixou legado de ser um negro que criava soluções boas e criativas para a infraestrutura nas cidades e as primeiras ferrovias férreas. A avenida Rebouças, na cidade de São Paulo (originalmente chamada rua Doutor Rebouças) homenageia André Rebouças. O túnel Rebouças, no Rio de Janeiro, foi assim nomeado em memória de André Rebouças e Antônio Rebouças.
José Carlos do Patrocínio ( 1853 — 1905)
Patrocínio foi um farmacêutico, jornalista, escritor, orador e ativista político brasileiro. Tem destaque com uma das figuras mais importantes dos movimentos abolicionista e monarquista no país. Ele criou Guarda Negra da Redentora onde negros e ex-escravos protegia a monarquia contra aristocracia e os militares na época rumos de conspiração contra a realeza.
Trajetória:
Ele ingressou na Faculdade de Medicina como aluno de farmácia, concluindo o curso em 1874. Patrocínio iniciou a carreira de jornalista em parceria com Demerval da Fonseca, publicando o quinzenário satírico "Os Ferrões", que circulou de 1 de junho a 15 de outubro de 1875, no total de dez números. Os dois colaboradores se assinavam com os pseudônimos Notus Ferrão (Patrocínio). Fundou, em 1880, juntamente com Joaquim Nabuco, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Com o falecimento de Ferreira de Meneses (1881), com recursos obtidos junto ao sogro, adquiriu a Gazeta da Tarde, assumindo-lhe a direção. Iniciou-se na politica, sendo eleito vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro em 1886. Patrocínio lutava em favor do fim do trabalho escravo defendendo o fim da escravidão a partir de discussões no Parlamento, de debates entre a elite branca e da defesa de uma abolição da escravatura, por intermédio da Sociedade Brasileira contra a Escravidão.
Seu legado:
Defendendo o fim da escravidão a partir de discussões no Parlamento, por intermédio da Sociedade Brasileira contra a Escravidão ele teve seus deveres concedido, após a proclamação da República 1889 entrou em conflito em 1892 com o governo do marechal Floriano Peixoto ao apoiar a Revolta da Armada e com isso o jornal A cidade do Rio fechou e sem renda, Patrocínio foi morar no subúrbio em Inhaúma.
Faleceu pouco depois, aos 51 anos de idade, aquele que é considerado, por seus biógrafos, o maior de todos os jornalistas da abolição Seus esforços foi recompensados e hoje muitos negros tem porta de entrada para o mundo da política, porém sua liberdade de expressão contra um governo republicano lhe custou a liberdade de imprensa.
Raul Joviano do Amaral Campinas (1914 — 1988)
Raul foi um advogado, sociólogo, historiador, jornalista, ensaísta, poeta, estatístico e economista brasileiro. Símbolo importante do movimento negro do Brasil e foi um dos fundadores da Frente Negra Brasileira e foi diretor do jornal afro brasileiro A Voz da Raça. E que foi fechada em 1937 pelo governo Vargas, porém renascida pela União Negra Brasileira, sendo presidente.
Trajetória:
E Raul foi um dos fundadores do Clube Negro de Cultura Social em 1932, Associação dos Negros Brasileiros em 1943 e da Associação Cultural do negro em 1954. Raul fez muito pela comunidade negra e construiu uma solida carreira acadêmica, formando-se em Direito, Sociologia, Economia e Estatística e deixando obra volumosa como ensaísta e pesquisador.
Seu legado:
Raul sem sombra de duvida é uma das mais conhecidas lideranças da imprensa negra paulista nos anos de 1920 e 1930 e uma das mais importantes personalidades do meio negro.
Luís Gonzaga Pinto da Gama (1830 – 1882)
Luís foi um advogado, abolicionista, orador, jornalista e escritor brasileiro e o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil. Nascido de mãe negra livre e pai branco, foi contudo feito escravo aos 10 anos, e permaneceu analfabeto até os 17 anos de idade. Conquistou judicialmente a própria liberdade e passou a atuar na advocacia em prol dos cativos, sendo já aos 29 anos autor consagrado e considerado "o maior abolicionista do Brasil".
Trajetória:
Gama nasceu em 21 junho de 1830 no centro da cidade de Salvador, Bahia. Sabe-se que era filho de Luísa Mahin, uma ex-escrava que viajou para o Rio de Janeiro para participar da revolta da Sabinada e nunca mais retornou. Em 1840 a vida de Luís muda, o pai acabou se endividando com jogos de azar, de modo que vendeu seu filho como escravo para pagar suas dividas. Não há de que seu pai o tenha procurado após isso. Mais tarde Gama entendeu que ao ser vendido ele foi vítima do delito de "Reduzir á escravidão a pessoa livre, que se achar em posse da sua liberdade.", previsto no Artigo 179 do Código Criminal do Império do Brasil, sancionado pouco após seu nascimento. A venda e transporte de Luís Gama para São Paulo se constituiu como contrabando.
Em 1847, Luís Gama teve contato com um estudante de Direito, Antônio Rodrigues do Prado Júnior, que se hospedou na casa de seu senhor e o ensinou o alfabeto. Não se sabe como Luís Gama consegue provar sua liberdade e se alistou ao exército em 1848. Mesmo servindo no exército, era escolhido para trabalhar como copista para autoridades oficiais nas horas vagas, já que possuía boa caligrafia.
Em 1856, foi contratado como escrivão da Secretaria de Polícia de São Paulo, no gabinete de Francisco Maria de Souza Furtado de Mendonça, um conselheiro e professor de Direito. Fascinado pelas leis e direitos tomou a decisão de graduar-se, pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. No entanto, os alunos da Faculdade se manifestaram contrários à sua presença, impossibilitando a matrícula de Luís Gama, que passou a estudar por conta própria, como participando das aulas como ouvinte e se tornou um rábula, nome dado ao indivíduo que possuía conhecimento jurídico o suficiente para advogar, mesmo sem possuir o diploma de advogado.
Suas lutas e causas:
Começou a carreira jornalística, na capital paulista, junto ao caricaturista Ângelo Agostini; ambos fundaram, em 1864 o primeiro jornal ilustrado humorístico daquela cidade, intitulado Diabo Coxo que durou um ano. Mas Gama também escreveu artigos para outros jornais, em que discorria sobre assuntos sociorraciais do Brasil Imperial. Onde Gama denuncia a decisão de um juiz que, após a morte de um senhor de escravos, permitiu o leilão de um ex-escravizado que fora alforriado pelo filho herdeiro.
Ajudou criar uma lei que proibia a importação de escravos no Brasil, tornando livre qualquer indivíduo traficado assim que desembarcasse chamada de Lei Feijó. Embora não fosse uma lei cumprida por traficantes de escravos, foi o instrumento legal pelo qual Gama se utilizou para conseguir a libertação de escravos. Gama conseguiu mais alforrias de escravizados num caso judicial de 1869, conhecido como "Questão Netto", Gama garantiu a liberdade de 217 escravos, num ato considerado como a "maior ação coletiva de libertação de escravizados conhecida nas Américas. Embora atuasse principalmente na defesa dos negros acusados de crimes, dos que fugiam ou para buscar-lhes a alforria judicialmente, não se negava a atender graciosamente aos pobres de qualquer etnia, havendo casos em que defendera imigrantes europeus lesados por brasileiros. Gama também ajudava os escravos recém libertados a encontrar um emprego.
Seu legado:
Gama morreu devido diabetes em 24 de agosto em 1882. Ao longo do tempo influenciou diversos movimentos negros brasileiros, como o grupo literário Projeto Rhumor Negro de São Paulo, criado em 1988, para quem a carta de Gama a Mendonça é "dos mais importantes documentos históricos do povo brasileiro. Recebeu busto erguido em sua memoria no Largo do Arouche em São Paulo e um Instituto Luiz Gama uma organização sem fins lucratifcas que tem por objetivo lutar contra o preconceito, e defesa dos direitos e garantias fundamentais dos negros e das minorias no país. Gama foi um intelectual negro, o único autodidata, pautou sua vida na luta pela abolição da escravidão e pelo fim da monarquia no Brasil, contudo veio a falecer seis anos antes da concretização desses marcos a abolição e a proclamação da republica.
Antonieta de Barros ( 1901- 1952)
Antonieta foi uma jornalista, professora e política brasileira. E foi uma das primeiras mulheres eleitas no Brasil e a primeira negra brasileira a assumir um mandato popular, tendo sido pioneira e inspiração para o movimento negro, apesar de um grande apagamento de sua história, que vem sendo retomada aos poucos.
Trajetória:
Antonieta nasceu em 11 de julho de 1901. Era filha da lavadeira Catarina de Barros (ou, conforme alguns registros) e de Rodolfo José de Barros, um funcionário dos Correios. E tinha três irmãos - Maria do Nascimento, Cristalino José de Barros e Leonor de Barros. Seu pai morreu cedo, e sua mãe trabalhava na casa do político Vidal Ramos, pai de Nereu Ramos, que viria a ser vice-presidente do Senado e foi o único catarinense a assumir a Presidência da República. Graças a isso ela teve interesse para entrar na politica com ajuda futura de Ramos. Anos mais tarde a mãe dela, transformou sua casa em uma pensão para estudantes, e a convivência com esses estudantes ajudou a incentivar Antonieta e sua irmã Leonor a se alfabetizarem. Leonor também se tornou professora, e ela e Antonieta deram aulas para dois governadores catarinenses.
Antonieta seguiu os estudos aos 17 anos já escrevia na Revista da Escola Normal em um prenuncio de sua futura carreira no jornalismo e presidiu o Grêmio Estudantil no ano seguinte. Concluiu o ensino que formava professoras em 1921. Em 1922, cria o Curso Particular Antonieta de Barros em sua casa, voltado para alfabetização da população carente, que foi conduzido por ela durante toda a sua vida. Pretendia seguir no ensino superior, mas em sua época o curso de direito era proibido a mulheres. Com carreira promissora como professora ela se torna diretora ano mais tarde na escola onde estudou diretora entre 1944 a 1951, período onde a escola já tinha sido renomeada para Colégio Estadual Dias Velho. Ela foi exonerada da diretoria por motivos políticos em 1951. Ela atuou como jornalista e escritora, destacando-se pela coragem de expressar suas ideias dentro de um contexto histórico que não permitia às mulheres a livre expressão.
Suas causas e lutas:
Em 1934, acontece a primeira eleição em que mulheres puderam votar e serem votadas para o Executivo e Legislativo no Brasil. Antonieta concorreu para uma das vagas de Deputada Estadual à Assembleia Legislativa catarinense filiada ao Partido Liberal Catarinense (PLC), o que a tornaria suplente. Cheia de coragem foi a primeira deputada estadual mulher e negra do país e uma pioneira no combate à discriminação dos negros e das mulheres. Também foi uma das três primeiras mulheres eleitas no Brasil - Alzira Soriano havia sido eleita prefeita sete anos antes e Carlota Pereira de Queirós foi eleita deputada federal no mesmo ano que Antonieta. Em 19 de julho de 1937, Antonieta presidiu a Sessão da Assembleia Legislativa e se torna a primeira mulher a assumir a presidência de uma assembleia no Brasil. Seu mandato no entanto termina com o início do Estado Novo, que fecha os parlamentos de todo o país.
Durante a vida, Antonieta foi uma mulher séria, comprometida e assertiva, mas também enérgica e humana. Ela nunca se casou mais era bastante religiosa sendo devota de Nosso Senhor dos Passos. Ela era a favor a emancipação feminina, principalmente através da educação, o que ocasiona algum repúdio das alas mais conservadoras da Igreja Católica. Antonieta faleceu precocemente em 28 de março de 1952, aos 50 anos de idade devido a complicações diabéticas.
Seu legado:
Antonieta de Barros é autora da lei estadual nº 145, de 12 de outubro de 1948, que instituiu o dia do professor e o feriado escolar no estado de Santa Catarina. Mais tarde, em outubro de 1963, a data seria oficializada no país inteiro pelo presidente da República João Goulart. Também sofreu com o racismo: em um episódio em 1951, o historiador Oswaldo Rodrigues Cabral qualificou suas ideias políticas e educacionais como “intriga barata de senzala”. Ela reagiu, assumindo sua condição de mulher e educadora negra, tendo respondido em uma crônica no jornal O Estado depois.
Antonieta permaneceu até 2012 como a única pessoa negra a assumir um mandato no parlamento catarinense. Tendo contribuído no parlamento, na imprensa e no magistério, foi uma ativa defensora da emancipação feminina, de uma educação de qualidade para todos e pelo reconhecimento da cultura negra, em especial no Sul do Brasil. E até hoje ela leva nomes importantes instituições nas regiões de Santa Catarina.
Laudelina de Campos Melo (1904 - 1991)
Laudelina foi uma brasileira militante do Partido Comunista Brasileiro, defensora dos direitos das mulheres e das empregadas domésticas, fundadora do primeiro sindicato daquela ocupação no Brasil.
Início e trajetória:
Ela nasceu em 12 de outubro de 1904, em Poços de Caldas, filha de pais alforriados pela Lei do Ventre Livre, em 1871. Obrigada a trabalhar como empregada doméstica desde os sete anos de idade, abandonou a escola para cuidar dos cinco irmãos mais novos, enquanto a mãe trabalhava. Na adolescência se mudou para cidade de São Paulo e três anos depois se casou com Geremias Henrique e em 1924 mudou-se para a cidade de Santos. O casal se separou em 1938, com dois filhos como resultado da união. Laudelina passou a atuar de forma mais intensa em movimentos populares, de cunho político e reivindicatório, especialmente depois de se filiar ao Partido Comunista Brasileiro, em 1936.
O nascimento do Sindicato Associação de empregadas domesticas:
Laudelina fundou a primeira Associação de Trabalhadores Domésticos do país, fechada durante o Estado Novo, e voltando a funcionar em 1946. Várias outras associações começaram a surgir na cidade de São Paulo, sob a coordenação do professor Geraldo de Campos Oliveira, presidente do Clube Cultural Recreativo do Negro e membro do partido Libertador. Ela fez parte da fundação Frente Negra Brasileira, sendo maior associação da história do movimento negro, que chegou a ter trinta mil filiados ao longo da década de 1930. Depois que a patroa morreu (para quem ela trabalhava) ela se mudou para Campinas, cidade que dava preferencia ás empregadas domesticas brancas o que levou Laudelina a protestar junto do Correio Popular por veicular anúncios preconceituosos. O desafio era fazer as autoridades da cidade enxergar que as mulheres negras também tinha voz e oportunidade iguais onde ela e se juntou ao Movimento Negro de Campinas, participando de eventos que visavam levantar a autoestima da comunidade negra, com teatros e palestras, inclusive promovendo, em 1957, um baile de debutantes (Baile Pérola Negra) para jovens negras, no Teatro Municipal da cidade. Em 1961 teve apoio do Sindicato da Construção Civil de Campinas para fundar a associação de empregadas domesticas.
Os desafios e conquistas:
Assim como boas causas tem seus desafios e lutas a de Laudelina não foi diferente. A Associação Profissional Beneficiente das Empregadas Domesticas esteve em diversas frentes e lutas em sua maioria contro o preconceito racial. No ato da inauguração da associação em 18 de maio de 1961 foram mais de mil e duzentos empregadas domesticas e no ano seguinte foi convidada para participar da organização de diversos sindicatos da categoria em outros estados participando também de movimentos negros e feministas.
Seu legado:
Em 1989, foi criada a organização não governamental Casa Laudelina de Campos Mello, dedicada a celebrar a atuação e militância de Laudelina, fundamentais para a conquista do direito à carteira de trabalho e à previdência social. Ela morreu em 12 de maio de 1991, aos oitenta e seis anos, em Campinas, deixando sua casa para o sindicato da cidade.
Abdias Nascimento (1914-2011)
Abdias foi um ator, poeta, escritor, dramaturgo, artista plástico, professor universitário, político e ativista dos direitos civis e humanos das populações negras brasileiras. Considerado um dos maiores expoentes da cultura negra e dos direitos humanos no Brasil e no mundo, foi oficialmente indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2010 e ele fundou o Teatro Experimental do Negro e o projeto Museu de Arte Negra.
Inicio e trajetória:
Nasceu em março de 1914 em Franca, Estado de São Paulo, neto de africanos escravizados. Seu pai era sapateiro e músico; sua mãe doceira. Sua família era tão pobre que, mesmo sendo filho de sapateiro, passou a infância descalço. Trabalhou desde os sete anos de idade. Completou o segundo grau, com diploma em contabilidade, em 1928. Formou-se como economista pela Universidade do Rio de Janeiro em 1938. Fez pós-graduação no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), em 1957, e em Estudos do Mar (Instituto de Oceanografia, 1961). Alistando-se no Exército, Abdias Nascimento saiu de Franca em 1929 e foi para a capital paulista, onde participou da Frente Negra Brasileira da década dos 1930. Participou dos movimentos de protesto contra o regime do Estado Novo, o que lhe valeu uma prisão pelo Tribunal de Segurança Nacional. Por resistir à discriminação racial na capital de São Paulo, foi preso na Penitenciária de Carandiru por dois anos. Com o endurecimento do regime militar, Abdias exila-se por 13 anos no exterior. Na mesma época, o TEN (Teatro Experimental do Negro) é dissolvido e Abdias se afasta do teatro, conduzindo sua militância política por outros caminhos, tendo lecionado como professor universitário, e dedicando-se à pintura e à pesquisa de visualidades relacionadas à cultura religiosa afro-brasileira. Após a volta do exílio (1968-1978), insere-se na vida política ao colaborar fortemente para a criação do Movimento Negro Unificado em 1978 e como um dos fundadores do PDT em 1980.
Seu legado:
Abdias ao longo de sua trajetória artística e politica sempre defendeu o direito dos negros no ingresso artístico. Candidato nas primeiras eleições do processo de abertura democrática (para governos estaduais e municipais e para o Congresso nacional), ele assumiu em 1983 como primeiro deputado negro a defender a causa coletiva da população de origem africana no parlamento brasileiro. Em 1991, Abdias Nascimento se tornou o primeiro senador afrodescendente a dedicar o seu mandato à promoção dos direitos civis e humanos do povo negro do Brasil. O governador do Rio de Janeiro, Leonel de Moura Brizola, o nomeou titular da nova Secretaria de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Governo daquele Estado, posição que desempenhou até 1994. Abdias morreu em 23 de maio de 2011, aos 97 anos, devido a uma insuficiência cardíaca. Ele estava internado desde abril no Hospital dos Servidores do Rio de Janeiro por causa de uma pneumonia, que agravou problemas cardíacos e renais crônicos e não resistiu às complicações da doença.
Marielle Francisco da Silva (1979-2018)
Marielle Franco foi uma socióloga e política brasileira. Filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), elegeu-se vereadora do Rio de Janeiro para a Legislatura 2017-2020, durante a eleição municipal de 2016, com a quinta maior votação.
Inicio e Trajetória:
Marielle Franco era filha de Marinete Francisco e Antônio da Silva Neto. Com criação católica, nasceu e cresceu em uma favela do Complexo da Maré, no subúrbio carioca, e se apresentava com orgulho como "cria da Maré". Em 1990, aos 11 anos de idade, começou a trabalhar junto dos pais como camelô, juntando dinheiro para ajudar a pagar seus estudos. Em 1998, deu à luz a sua primeira e única filha, Luyara, fruto de um relacionamento temporário. Naquele mesmo ano, matriculou-se na primeira turma de pré-vestibular comunitário oferecido aos jovens das favelas do Complexo da Maré. Em 2000, começou a militar pelos direitos humanos, depois de uma de suas amigas ser atingida fatalmente por uma troca de tiros entre policiais e traficantes na Maré.
Em 2016, na sua primeira disputa eleitoral, foi eleita vereadora na capital fluminense pela coligação Mudar é possível, formada pelo PSOL e pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Com mais de 46 mil votos, foi a quinta candidata mais votada no município e a segunda mulher mais votada ao cargo de vereadora em todo o país, atrás apenas de Rosa Fernandes. Na Câmara Municipal, presidiu a Comissão de Defesa da Mulher e integrou uma comissão composta por quatro pessoas, cujo objetivo era monitorar a intervenção federal no Rio de Janeiro, sendo escolhida como sua relatora em 28 de fevereiro de 2018. Era crítica da intervenção federal, assim como criticava e denunciava constantemente abusos policiais e violações aos direitos humanos. Marielle chegou à Casa das Pretas, na rua dos Inválidos, na Lapa, para mediar um debate promovido pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) com jovens negras, por volta das dezenove horas. Por volta das 20h da noite ela deixou o local. A vereadora foi atingida por três tiros na cabeça e um no pescoço e o motorista Anderson Pedro Mathias Gomes levou ao menos três tiros nas costas, o que causou a morte de ambos. A assessora foi atingida por estilhaços, levada a um hospital e liberada. O miliciano Almir Rogerio Gomes da Silva foi preso em 28 de julho de 2021 pelo assassinato de Marielle e seu motorista.
Seu legado:
O Instituto Marielle Franco foi criado por sua família, com o intuito de buscar justiça sobre o caso, além de defender a memória da vereadora e articular a formação política para mulheres, população negra e favelada. Anielle Franco, irmã de Marielle, é diretora do Instituto e recebeu como homenagem Estatua de Marielle Franco no Buraco do Lume, Rio de Janeiro.
Joaquim Benedito Barbosa Gomes (1954 até o momento presente)
Joaquim Barbosa é um jurista e ex-magistrado brasileiro. Foi ministro do Supremo Tribunal Federal de 2003 até 2014, sendo primeiro homem negro ocupar o cargo, tendo sido presidente do tribunal de 2012 a 2014. Foi filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) entre 2018 e 2022. Atualmente, é advogado.
Início e trajetória:
Formado em Direito pela Universidade de Brasília em 1979, especializou-se em Direito e Estado. Também é mestre e doutor em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas). De 1993 a 1995, foi professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e, de 1997 a 2015, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Joaquim Barbosa nasceu em Paracatu, estado de Minas Gerais. É o primogênito de oito filhos. Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram. Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público. Obteve seu bacharelado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Brasília em 1979, onde também obteve especialização em Direito do Estado em 1982. Prestou concurso público para o cargo de Procurador da República e foi aprovado, em 1984. Foi indicado ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003 e ocupou o cargo até aposentar-se voluntariamente em 2014. Em 2004, foi admitido pelo presidente Lula ao grau de Grande-Oficial especial da Ordem do Mérito Militar.
Seu legado:
Ele defende a tese de que despachar com advogados deva ser uma exceção, e nunca uma rotina, para os ministros do Supremo. Restringe ao máximo seu atendimento a advogados de partes, por entender que essa liberalidade do juiz não pode favorecer a desigualdade e é contra o poder do Ministério Público de arquivar inquéritos administrativamente. Defende que se transfira a competência para julgar processos sobre trabalho escravo para a Justiça federal. O ministro aposentou-se voluntariamente do tribunal em 31 de julho de 2014, antes do término do mandato. De fato Joaquim foi um grande magistrado e jurista o primeiro homem negro ocupar o cargo de presidente do STF (Supremo Tribunal Federal)

Por essa razão o
Dia da Consciência Negra é um marco que traz para aqueles que sofreram escravidão para aqueles que nasceram livres da chibata e pela raça não afrodescendente repensarem sobre esse dia. Não comemore esse dia pensando no passado, pense sobre as conquistas que os homens e mulheres negras deixaram seus legados e as conquistas que hoje temos o privilegio de desfrutar. Confira também
Literatura Negra e
A conquista negra no teatro e no cinema Não deixe de comentar outros artistas negros que ficaram na história, compartilha conosco.
Voltaremos com mais #CuriosidadeDaSemana
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